sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Esta é uma Obra de Ficção.















Essa é uma obra de ficção, como toda obra e toda vida são ficções que traduzem visões e afetos de quem escreve, as vezes eu paro, eu paro naquele ponto e penso por que? por que eu disse isso, o que eu ainda quero dizer sobre esse romance e essa ficção que é a história de cada um.

Eu vou escrever essa ficção pra provar que estive suja e que eu vi o mundo por detrás da Poliana Moça, penso que fazer uma ficção é antes travar uma batalha com a realidade do que propriamente buscar uma fantasia, e sobre isso escolho escrever um romance, ou quem sabe prefiro catar alguma coisa que valha de lição nessa ficção coletiva que chamamos realidade.

Já disse e continuo repetindo que prefiro falar sobre o que me comove, e o que me move, que as vezes são coisas que se confundem, eu penso que todo romance de ficção tem alguma coisa de autobiográfico e de confessional, o meu tem muito de observação e muito de experimento transcendendo o voyerismo e sendo mais Hedonista que sadomasô.

Quando eu era pequena e comia chocolate como as crianças comem chocolates eu pensava que um dia quando eu fosse uma mulher eu escreveria ficções sobre os romances que um dia eu cri que tinha vivido, mais esquizofrênica que amada, mais devassa que amélia, mais eu mais gata, mais confessional que propriamente uma escritora de suposições e mais fofoqueira que talvez protagonista, que dizer dos meus amigos? Mais Reais que imaginários...

Eu gosto de ouvir o Renato Russo dizer que as vezes usa palavras repetidas, por que eu vivo tendo que repetir as mesmas palavras por que em algumas ficções de realidade o óbvio do que me afeta, parece absurdo aos olhos estanques das cavernas mais platônicas que cartesianas.

Eu decidi então assim fazer uma obra de ficção pra mostrar a cena Pomba Suja das Almas Sebosas e pra tentar ser imortal nessa prehistória Digital em que habito e nesse futuro inatingível ao agora em que minha alma jaz Viva e Além.

Que eu poderia escrever pra crianças e borboletas azuis, que eu poderia falar sobre reinos encantados de princesas com histórias e morais, mais não me cabem talvez por aptidão á lama, confesso mais antiheroismo que vilania, acho que o que vale do romance e da ficção é menos a moral do que a filosofia e por oficio de etnógrafa sou mais narradora dos afetos que compartilhei e cri que compreendi do que alguém que tente escrever de memória um diário de um perdido tempo de lembranças ébrias e fumacentas.
e
Fica ao menos do que deixarei de dizer a emoção súbita desse afeto que me comove a escrever,  contar alguma coisa que a emergencía e as vezes parar para dizer alguma coisa que as vezes é preciso parar pra dizer e repito esta é uma obra de ficção e carapuças servem ou não...

Eu escrevo por que eu sinto, sinto muito...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bianor fala do mestre.






Esta é uma obra de ficção, uma obra de ficção que fala das várias faces de amar, amor correspondido e amor enviado pra caixa de spam, amor vivo e amortinhodasilva, fala sobre tentar aprender e errar, enfim é uma obra de ficção baseada e por isso viajante...


Mestre Zi tinha como primeira lembrança um dia cinza, tudo em volta dele era vermelho cor de barro inclusive as pessoas, elas estavam, sentadas longe dele e ele tinha sede, tentou falar água e sua mãe veio e riu e lhe deu água, ele lembrava que tudo era muito pobre, lembrava que tinha fome de coisas que nunca tinha experimentado, na sua casa tinha uma vaca que dava leite e eles faziam queijo e plantavam mandioca e comiam queijo com farinha e tomavam água com gosto de salobre,  sua casa de barro com dois cômodos, o pai dele era um homem franzino como ele beberrão e contador de casos, a mãe era toda silêncio e movimentos de carregar coisas e ordenhar vaca e fazer farinha e vender na feira e comprar alguma coisa pra interar um arroz, e as vezes uma rapadura que era uma festa nos sentidos do Mestre que naquela época se chamava Zezim apreciador de culinárias mundiais. ele tinha 9 anos quando um grupo de ciganos apareceu perto de onde ele morava. Eles dançavam e eram coloridos e tinham muitos sabores, muitos tecidos, ele não gostava da vida, da cidade que tinha festas que ele não ia por que não tinha um sapato bom, ou por que não foi convidado, os ciganos chegaram e convidaram toda a sua familia e lhe deram comida e bebida e lhe contaram como saqueavam pessoas que podiam ir as festas e sobre roubo de sapatos e sobre a maneira como eles pegavam o que precisavam e sabiam que podiam pegar tinham leis próprias e mulheres cobertas de lindos tecidos e cores que ele nunca tinha visto.

Os ciganos a bem dizer lhe criaram, depois de uma série de intrigas entre estes os ciganos, um dia foi amarrado num tronco, espancado e largado a própria sorte, foi encontrado por um Capuxinhos, que lhe levou para dentro dos princípios franciscanos que lhe conduziram pelo caminho da leitura, do comedimento e da abnegação, com eles estudou os cínicos e os estoicos, aprendeu a fazer sandálias e couro, a mendigar e viajar sem custos, um dia deixou os franciscanos por que conheceu uma presidiária fugitiva que se escondeu no retiro, saíram de lá juntos e se recrutaram num navio que lhes levou até a fronteira do Suriname, onde se bandearam com um bando de traficantes de cigarros e mulheres brasileiras, lá ela se prostituiu e ele mendigou ela o trocou por uma linda morena de Paramaribo e ele foi levado como grumete num navio japonês, um senhor que falava espanhol o levou para uma plantação de arroz, onde aprendeu artes marciais e filosofia zen budista, passou no japão tempo suficiente para aprender a gerir o negocio de gueixas e  aprender a ganhar dinheiro, quando ganhou algum dinheiro e aprendeu um pouco do idioma, comprou um monte de aparelhos eletrônicos e voltou para o Brasil, tendo deixado pra trás toda uma rede de negócios que mantinha funcionando a distância e que funcionavam para gerir templos e escolas de filosofias. 

Quando voltava pro Brasil conheceu no voo uma pequena e musculosa negra capoeirista que voltava de uma apresentação em Luanda, se auto descreveu como a mais bonita filha de Oxum, enviada pelos Orixás para ensinar a arte sagrada da capoeira e auxiliar no regimento das Nações de Africa que tinham se estabelecido no Brasil respeitando a Diáspora e a miscigenação e reconhecendo a vitória do povo negro que  se espalhou e também dominou as Américas. Ele olhou pra ela, não conhecia muitos negros, nem sabia muito sobre a cultura Africana, ela era mãe pequena de um grande terreiro, ficaram um tempo juntos,  o mestrea prendeu capoeira e muito sobre o Axé,  um dia o santo deles se bateram e ele  se mudou para Acre.

Em pouco tempo tinha criado seu próprio rancho de orientações em Rio Branco, onde aprendeu a dominar os chás e outros alucinógenos, começou a gostar do tema no acre, depois fez muitas pesquisas no mercado oriental e assim virou um grande entendedor de alucinógenos, mas não só isso ele tinha conseguido compreender um jeito do mundo funcionar e assim tinha conseguido discípulos e discípulas e doações e conhecia muita gente, a maior parte das coisas não se sabia sobre ele, era um conhecedor dos principios da alquimia, astrologia, quiromancia, hipnose, massoterapia, Tantras diversos, demonismo, escrituras sagradas, Tarô, Runas, livro de São Cipriano, Wicca, sabia como atingir o nirvana através de meditação, técnicas de flutuação, saltos ornamentais, sapateado, rumba, tango e quadrilha, e muitos eteceteras foi mais ou menos o que  explicou rapidamente Bianor para introduzir os amigos ao convite da festa da PombaGira. 

Estavam sentados no jardim fumavam a erva do mestre no Narguilé, Melissa estava deitada na barriga de Tiago, Bianor segurava o cano do narguilé com o olhar perdido.

- Ele deve ser bem louco, disse Mel, quem é essa tal de Pomba Gira? é alguma cantora nova?
- É tipo uma santa da umbanda, sabe, tipo nossa senhora aaparecida só que da macumba, ouvi falar que mestre Zi pode pirar as pessoas, disse Tiago mexendo no cabelo de Melinda, olha o Bianor por exemplo...
- A Pomba Gira é uma entidade da Umbanda Melinda ela é um tipo de Exu, a festa dela abre o período de festas da casa do mestre, e o mestre opera mudanças de visão Tiago e não loucura!
- Eu quero ir!!!!!!! disse Melinda muito animada
-Eu não vou poder, falou Tiago.
- Será que Tereza quer ir Melinda? perguntou Bianor
- Com certeza, deixa que eu falo com ela, mas você poderia chamar a Sony hein que tal.
- Vamos fazer alguma coisa nós três outro dia,  disse Tiago deitado num puf .
- Ai que mania que homem tem de achar que vai rolar uma menage a qualquer momento, olha todo mundo sabe que suruba não funciona direito. 
- Eu sou voyer.
- Sério? disse ela se levantando e pegando a pipa.
- Sério, desde pequeno que eu me masturbo com filmes e revistinhas e olho pelas fechaduras de motel e pago pra duas putas se comerem em cima de mim...
- Já entendi, cê tá de pau duro né?
- Tô ficando...
- Eu tomaria um vinho, disse Melinda olhando pra Bianor.
- Olha sei que vocês vão se divertir muito, mas temos que trabalhar, pode deixar que falo com a Sony, vamos que eu quero mostrar tudo pra vocês. 

Bianor subiu e voltou com uma calça cheia de botões e uma camisa com o desenho de Shiva.

Eles desceram saíram do prédio e entraram num lugar que era um pátio com vários carros.
Tiago disse: Vamos no Jeep! Bianor abriu uma caixa na parede com uma senha eletrônica e pegou a chave de um CJ-5 1974. 







domingo, 5 de maio de 2013

O Ácido de Artemis.









Artemis ficou na Boate e encontrou umas amigas Silvana e Tina, amigas lésbicas namoradas que estavam comemorando cinco anos de namoro, e que tinham ido pra boate encontrar outros amigos para irem com elas pra casa fazer uma comemoração, Tina disse pra ele que tinham ganhado uma cartela de ácidos e que pretendiam fazer uma festinha de dois dias numa casa de praia da patroa dela que tinha emprestado para elas fazerem a comemoração.

Artemis gostou da idéia mas disse que precisava de algumas coisas pra passar dois dias fora, e foi convencido de que só precisava de um short e uma escova de dentes e Tina disse que lhe daria as duas coisas.

Depois de formarem um grupo de pessoas composto por Artemis, o casal de amigas, mais dois outros rapazes e dois outros casais de meninas eles foram pra praia, antes passaram num supermercado e compraram as coisas que iam precisar pra ficar por lá os dois dias.

Artemis ficou pensando que a conta daquele grupo estava errada e que ele estava sobrando, mas ai percebeu que os dois rapazes que estavam em outro carro não eram propriamente gays, mas ficou rezando pra que eles fossem gente que faz, a casa não era muito grande mas tinha uma ótima varanda que dava pra praia que ficava do outro lado da rua.

Abriram garrafas de vinho, fumaram maconha e Tina tirou de dentro de uma caixinha uma cartela completa de ácidos com uma foto de Buda iluminado por uma luz azul

- Aqui gente é o buda ditoso esse aqui, me garantiram que é 100% lisérgico, vai rolar um pra cada um.
- Um pra cada um é muito! - protestou uma amiga!
-Ninguem disse que é pra tomar o seu todo,  só que o que te cabe é tomar um
- Artemis estava bêbado e chapado, pegou o celular e viu que estava descarregado, pensou que alguem pode ficar preocupado, mas no meio da festa esqueceu essa idéia.

Pegou seu ácido e colocou 1/4 na boca, como tinha aprendido, o dia já ia amanhecer e ele sentia um pouco de sono, mas pensou que o ácido ia lhe acordar, tomou sua metade e se encostou num puff,

Quando abriu os olhos ele estava num lugar desértico uma paisagem conhecida, parecia um quadro, olhou bem em volta pra ver se encontrava alguém, em cima de uma pedra gigante ele viu um relógio derretendo e notou que estava num quadro de Dali,  Ui! que ácido babadeiro é esse,  ele pensou e quase tropeçou num coelhinho que lhe dizia vem vem por aqui, eita que esse coelho tá falando comigo, ai Jesuis,Artemis saiu correndo e o coelho entrou em uma xícara gigante, aff, que coisa mais cafona morar numa xícara...ele entrou e encontrou a Monalisa fazendo um café, Monaaaa!!!!!!!!! sempre quis te conhecer, a senhora ainda tá com esse penteado até hoje? repágina Monaaaaa!!!!!! Na mesa posta ele podia ver todos da Santa Ceia, a Monalisa lhe apontou uma cadeira e ele sentou, ela serviu o café, todos eram muito parecidos e falavam uma língua que ele não entendia, gente olha só quero av isar vocês cuidado com o , quando ele ia falar ouviu um barulho, num canto estava alguém dentro de um saco. eles apontavam, pra sacola e falavam linguas estranhas e o cara gritava me tira daqui, ele se esgueirou até a sacola e perguntou, quem está ai? de dentro uma voz disse cara cuidado, esse pessoal é maluco, eu entrei eles me amarraram aqui, não sei o que vão fazer comigo, me tira daqui, calma, vou te salvar e serei seu príncipe tá bom? quando ele ia abrir a sacola a Monalisa disse:   não mexa no cordeiro, amarrem ele  também, e ele saiu correndo, correndo e quando ia passando por uma ponte ouviu um grito e de repente viu que estava dentro do quadro de Much.
- Por que você está gritando!
-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
-Calma  biu fale comigo!
-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
-Sempre quis sabe por que você está gritando, me conta vai!
apontando pra frente o homem torto continua gritando
Artemis olha e vê um homem enforcado de cabeça pra baixo
- ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, coitado! minha nossa senhora dos apuros, deixa eu te salvar
-Você não pode,
- Posso sim,
- Se você me libertar vai ficar no meu lugar, eu libertei o homem que estava aqui e agora estou aqui, quer trocar sua liberdade pela minha?
- Eu te solto e saio louca ninguém me acha
- Não pode, você tem que trocar a sua liberdade pela minha, você quer isso?
-Tá doido!!!!. mas eu quero tentar te salvar, tô nessa de cavalheiro andante.
-Se você me salvar vai ter que esperar alguem que queira tocar de lugar com você.
-Aff, aqui é meio deserto né, pode demorar, se tu não me conta já tava solto e eu amarrado pelas canelas,
- É que o homem que estava aqui não me contou e agora além de sentir raiva me sinto idiota não quero isso pra ningué
-Lamento não poder ajuda-lo, você é tão nobre e bonito e... quem criou essa armadilha?
- Foi uma mulher com um sorriso estranho, olhe, ela vem vindo!
Artemis viu a Monalisa vindo com um monte de caras pra coloca-lo no saco.
- Desculpe tenho que ir e saiu correndo,   e de repente lhe ocorreu voar, ele tentou primeiro um voo baixo e depois começou a subir e subir e de repente estava flutuando, voou o mais rápido que pode e de repente começou a cair e não conseguia mais voar,  socorroooo ai minha nossa senhora do paraquédas, quando estava quase batendo no chão foi salvo pela nave da Xuxa guiada pelo Praga, e com uma chuva de jujubas em forma de beijinhos, acordou, olhou em volta e não tinha mais uma festa, alguns estavam deitados dormindo, andou pela casa, era uma casa grande, ai que forte, abalei no sonho, pensou tudo estava muito brilhante, com um colorido próprio, ele foi na cozinha tomou um copo de refrigerante e comeu um pão, andou até a varanda e viu um caminho entre árvores muito altas, quando ia sair viu uma bicicleta e deciciu ir de bicicleta, foi pedalando e em um ponto começou a ver as arvores se retorcendo e  sentiu medo, ai, deixa eu me beliscar pra ver se eu acordei, ui! tô acordada, entrou por outro caminho e viu uma trilha brilhante de flores e foi por aquele caminho, até chegar na beira de uma lagoa, ficou por ali um tempo, viajando em cores e sons e em borboletas, deitou na grama e ficou brincando de encontrar desenho  nas nuvens, ai ouviu um som olhou e viu um sapo enorme verde e olhando pra ele ele se levantou assustado e tentou pegar o sapo, que saiu pulando e  ele foi atrás dizendo, venha que eu quero um príncipe, e o sapo fugindo pela floresta e ele pulando atrás do sapo, de repente parou e constatou, que estava perdido no meio da floresta.
Ai minha nossa senhora das bichas desnorteadas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Almoço.









Melinda decidiu não usar nada antes de ir tratar de trabalho com Bianor, em parte por que ela não queria ficar muito acelerada e em parte por que como era um almoço ela queria comer alguma coisa, seguiu até o endereço, quando chegou e disse o nome ao porteiro ele disse que ela subisse, era um prédio antigo e muito bonito, Bianor morava na cobertura num duplex, só havia um apartamento por andar e o prédio tinha dez andares, Melinda ficou um tempo se olhando em todos os espelhos do hall de entrada, o elevador não combinava com o prédio, por que era bem moderno e chegou a falar com ela
- Bom dia, aperte o andar desejado, obrigada!

Melinda ia responder mas pensou que deviam ter câmeras no elevador e se contentou em ajeitar o cabelo mais uma vez, quando chegou no andar e saiu do elevador estava num corredor estranhamente cheio de plantas e em cada extremidade uma porta, ela caminhou um pouco e viu outra porta quando ia tocar a campainha a porta se abriu e uma senhora de uniforme e touca na cabeça abriu a porta.

- Oi, eu sou Melinda! - Disse estendendo a mão.
- Oi! Eu sei, pode entrar, seu Tiago esta na sala e o doutor ainda não acordou! - disse seca.
Acho que ela não gostou de mim, ´pensou Melinda, olhando pra seu vestido, talvez ele fosse muito curto ou talvez Bianor recebesse muitas putas e ela tivesse confundindo ela.

O Apartamento era enorme, a sala de entrada era uma sala branca com decoração oriental, poucas coisas na parede, um buda em tamanho natural sentado no centro de tudo assustou um pouco Melinda, que nãso sabia nada de Bianor a não ser que ele era um ricaço bonitão que sabia fazer ela gozar usando só as mãos, ela ainda estava olhando o Buda quando ouviu Tiago que lhe chamava da varanda.

- Oi Linda!
- Oi Ti! ainda bem que voce já esta aqui, a mulher que atendeu a porta me pareceu meio emburrada e ele ainda está dormindo.
- É a Diva, ela é bem braba e superprotetora, a prncipio ela acha que todos se aproxima dele por interesse, e Bianor, bem, ele deve estar fazendo alguma coisa no quarto, daqui a pouco aparece, quer fumar um?

Melinda queria, estava na abstinência e unzinho ia lhe acalmar e abrir o apetite.
- Quero sim.
- Vem tem um jardim lindo aqui onde se fuma
e ele entrou num cantinho , subiu uma escada e de repente melinda estava no meio de um jardim florido lindo, onde dava pra ver o mar, a vista era maravilhosa e quando sentou numa cadeira muito confortável de vime acolchoada ela pensou que tinha gente que realmente vivia muito bem.

- O que é esse trabalho? - perguntou Melinda - Não sei de nada.
- Acho que ele também não sabe o que quer, queria fazer um filme, agora quer gravar um disco
- Estranho... o que eu tenho haver com isso?
- Você é engraçada, inteligente, bonita e ele tá afim da sua amiga.
- Ele vai me contratar pra comer Tereza? Nem precisava- Disse acendendo o baseado que Tiago lhe deu.
Eles riram.
- Quem mais vem? - Perguntou Melinda
- Soraia uma secretária dele e talvez o filho, não sei.
- Tomara que dê certo, fui demitida, não posso ficar desempregada, tenho todo um estilo junk que tenho que sustentar, drogas são caras, festas são caras, roupas de festa são caras...
- Você tá com alguém?
- Hã?
- Tá namorando?
- Ô Tiquinho, cê sabe que eu não namoro, eu pego.
- Tá pegando alguém
- Tiago eu já dei pra você, que mais você quer de mim?
- Só curiosidade e você só me deu uma vez!
- E você queria mais? por que não disse!
- Não sou bom nessas coisas.
- Sorry, perdemos o timer né, já foi e acabou nem sendo, e eu não gosto de misturar trabalho com prazer.
- A você é assim tão profissional, nunca imaginei, minha irmã nunca disse nada
- Deve ser por que você só me encontra em festinhas e sua irmã não presta muita atenção no trabalho, enfim, bom pra você também né que desde que eu conheço tá desempregado.
- Eu não tô desempregado, eu trabalho com música.
-Hahaha!!!!! a tá!
- Não entendi a graça.
- Digamos que a sua banda não é, digamos assim uma carreira né.
- Pensei que você gostava da minha banda!- Disse Tiago prendendo a respiração num trago.
- Eu gosto dos bares sombrios que vocês tocam, e gosto de vocês, mas assim, não sou fã da sua banda, você sabe que eu sou pop né, o hard é um estilo que me dá tesão, mas acho que é o preto, o metal e as caveiras.- disse dando uma tragada profunda
-Foda você!
- Ah desculpa vai, me dá seu autógrafo aqui no meu sutiã.
E quando Melinda partiu pra cima de Tiago pra continuar a brincadeira a campainha tocou e ela se recompos.

- Quem será?
- Quem sabe!
- Melhor apagar né?
- Ninguem por aqui se importa com isso.
- Se fosse pó todo mundo ia reclamar.
- Talvez.
- Tá chateado né?
- Não, mas quero autografar seu sutiã em outra oportunidade.
Melinda deu uma risadinha e foi andando na direção da sala, lá sentada no sofá com um computador aberto e falando no celular estava uma mulher de terninho e cabelo bem penteado, ela sabia que era uma das secretarias e imediatamente se arrependeu do vestidinho que tinha escolhido, mas pensou que foi tudo tão informal que ela não tinha motivos pra ser tão formal, soprou na mão pra ver se estava com cheiro de maconha, tinha essa paranóia quando fumava, que estava toda impregnada do cheiro, Como Tiago tinha dito que ninguem se importava, ela não se importou.
- Oi, sou Melinda.
- Olá eu sou Soraia, muito prazer, Bianor me falou que tinha chamado uma administradora, é a sua formação né?
- É sim e você?
- Eu sou formada em Secretariado Executivo, com pós em publicidade e doutorado em Comunicação e mídia.

Soraia era uma mulher de 53 anos, vivia para o trabalho, não tinha marido, mas tinha tido um filho, que morava com a mãe dela, e que ela via muito pouco, cuidava mais de Tavinho e Bianor que da própria família, era extremamente organizada e eficiente e tinha sempre tudo sobre controle, intimamente tinha avaliado Melinda como mais uma das putinhas que rodeavam Bianor e pensou que ela não sobreviveria muito tempo no seu mundo, não gostou do vestido, nem do cheiro de maconha, não gostou da beleza, muito por que no fundo não tinha gostado nada de Bianor ter deixado a agência para ir produzir sandices particulares, mas esperava se acalmar quando estivesse no controle daquela empreitada.

Melinda não gostou de Soraia, nem da cor do cabelo, nem da roupa, nem do tom da voz e percebeu que ela também não tinha gostado dela, Melinda sorriu.

- Poxa que maravilha hein, poder trabalhar na sua área.
- É sim, e qual a sua experiência profissional?
- Eu trabalhava na área de cosméticos.
- Cosméticos? sei... e tem experiência com publicidade?
- A sim claro, eu já organizei um catálogo.
- É ... já é uma experiência... mais alguma?
- Eu já fiz uma propaganda, uma vez eu fui figurante de um comercial de sombra - Disse Melinda suspeitando o desprezo da outra.

-É...

Bianor chegou nesse exato momento, quebrando o climão.

- Bom dia, já estão todos aqui?
- Tavinho não chegou ainda - disse Soraia.
- Ele não vem, cadê Tiago? como vai Melinda?
- Bem, Tiago tá no Jardim.
- Fumando?
-É...- Disse Melinda vacilante.
- Ótimo, Soraia peça pra Diva servir o almoço enquanto fumamos por favor.
- Ok, disse Soraia se levantando e saindo pra dentro da casa,
- Tenho um baseado aqui que ele vai adorar, é do mestre!
- Mestre?
- Você vai conhece-lo, se tudo der certo vai conhece-lo em breve.
- Ah é? que bom
Quando chegaram onde estava Tiago, ele fumava um cigarro e olhgava o mar.
- Já tá dodói?
- Que nada um fininho, tô meio sem.
- Pega aqui, disse Bianor , estendendo um enorme cigarro pra Tiago.
- Te amo cara! e falando isso acendeu o baseado.

Bianor andou um pouco pelo jardim, ligou uma mangueira e começou a regar as flores.
- Incrivel como elas sentem a minha falta, mesmo que sejam regadas e cuidadas, como foram por um jardineiro de confiança.
- Olha Bianor, sem querer interromper esse momento tão legal com essa maconha ótima e esse papo todo de jardim, mas sua secretária me perguntou se eu tinha experiência com a área de publicidade e eu não tenho então quero deixar isso bem claro desde já.

- Melinda você sabe contar uma história?
- Claro. Quer dizer depende, mas claro, por que?
- Você gosta de ler?
- De um modo geral sim, mas tenho lido pouco.
- Eu te contratei por que eu quero que você leia umas coisas, por enquanto é só isso, quero que você leia e me conte o que você leu, eu recebi uns documentos e não tenho paciência, preciso de alguém que os leia e minha intuição me diz que isso vai ser bom pra você, vou te pagar o dobro do que você ganhava lá com os cosméticos, mas quero resumos semanais.
- O que é que você quer que eu leia?
- Depois do almoço falamos mais sobre isso.
- Isso tem haver com o novo trabalho?- Perguntou Tiago, estranhando a conversa.
- Por hora não, mas sei que em breve terá.
-Ai tô curiosíssima.
- Ótimo, curiosidade nesse trabalho que você vai fazer é fundamental.
Soraia veio chama-los pra almoçar e pra surpresa de Melinda ela deu uma tragada, apenas uma, não falou mais nada e saiu.

A sala de jantar era muito bonita e tinha uma mesa com 20 lugares, achou interessante que a mesa e as cadeiras eram de uma madeira pesada e envelhecida, vendo seu interesse Bianor lhe explicou que era madeira de demolição, que ele gostava muito, a comida foi colocada em cima de um console, dois tipos de salada, frango, peixe e soja, todos se serviram e enquanto comiam Bianor falou sobre o seu plano.

- Hoje de manhã eu falei com um amigo meu que tem um bom estúdio lá no centro, ele já gravou alguns artistas alternativos, sabe Cascalho Tiago?

- Sei, soube que ele ia casar.
- Pois é ele vai casar com uma americana e tá se mudando pra lá e tá vendendo o estúdio, vou comprar, com a porteira fechada.
- Você vai comprar o estúdio do Cascalho? - os olhinhos de Tiago brilharam, cara que notícia ótima.
Soraia deu uma pequena entalada- E a agência?
- Isso é uma coisa independente, o Tavinho, você e a equipe lá já se mostraram aptos a administrar lá, eu quero fazer um cd, vou fazer isso, e você só está aqui, por que esses dois serão contratados pela agência, não sei como está a apapelada do estúdio e quero que você resolva isso também e que efetue a compra, no mais você continua na agência e eu vou formar uma nova equipe pro estúdio.

A palavra estúdio fazia Melinda se imaginar no Exile on Main Street, cheirando pó com Keith Richards, era possivel ver um sorrisinho de felicidade de saber que a doutora não ia ser daquele fita.

Soraia ruborizou, franziu a testa, demostrou uma sutil insatisfação e calou-se quando viu que Tiago e Melinda pareciam aliviados por que ela não ia trabalhar diretamente com eles.

- Depois do Almoço vamos lá no estúdio, Melinda você vai ficar lá também, por que não quero me separar dos papéis que vou lhe dar pra ler e também por que quero acompanhar seu interesse, lá é um lugar amplo, vamos providenciar um espaço pra você ficar por lá, Tiago a apartir de agora você é meu assessor direto vamos montar a equipe juntos.

Soraia mostrou-se incomodada: - Você precisa comprar um estúdio pra gravar um CD? Você não pode simplesmente alugar um , como todo mundo faz?

- Soraia, eu estou comprando o estúdio pra ajudar um amigo que quer sair do país para casar, eu liguei pra ele apenas para me informar sobre a disponibilidade de horário e coisas semelhantes e decidi comprar, se você quiser, pode pensar que estou ampliando meus negócios, eu gosto de pensar assim.

Soraia ia responder quando o celular dela tocou, era Tavinho, estava precisando dela urgentemente, ela informou isso a Bianor que disse, que como ela já sabia o que tinha que fazer, poderia ir, e Cascalho ia procura-la, ela nem terminou de comer, despediu-se friamente e saiu e na saida foi possivel notar certa contrariedade no baque da porta.

- Agora que ela já foi preciso falar pra vocês sobre uma festa que iremos.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Melinda

Melinda nasceu e cresceu na cidade grande o pai era bancário e a mãe dona de salão de beleza, tendo irmãs gêmeas mais velhas que ela 12 anos, os pais eram ausentes e ela foi criada pela babá Sissi que fumava cigarro e tomava café o dia todo.






Nunca gostou muito de estudar mas estudava, pouco convivia com as irmãs que viviam fora de casa e aos 25 foram morar nos Estados Unidos, a mãe era uma negona trançadeira que sempre tentava ensinar as filhas o oficio sem sucesso, tinha sido empregada da avó de Melinda e acabou casando com o filho da patroa, era um bom casal, saíram de casa quando ela engravidou, cortando relações com a família, a mãe de Melinda lavava e passava e vendia salgados e fazia curso de cabeleireira para pagar as contas e para ajudar o pai de Melinda a continuar estudando, formou-se em economia, passou num concurso e conseguiu organizar a vida e dar um salão pra mulher, um bom casal, mas sem tempo para as filhas.




Melinda quando nasceu tudo já estava acertado não sofreu dificuldades, não amargou desavenças, e também não pegou o tempo do pai em casa foi criada com liberdade, mimo e negligência, sempre ouvia que esperavam que ela fosse menino, não foi, a mãe perdeu o útero e acabou adotando um sobrinho que era o irmão caçula de Melinda que ela gostava mais que das irmãs, saiu de casa aos 19, passou no vestibular, arrumou um emprego, tratou logo de sair por que queria fazer sexo, usar drogas e se livrar dos conselhos do pai e da vontade da mãe que ela ajudasse no salão.




Melinda sempre foi de poucos amigos, fumou pela primeira vez aos 11 anos roubando bituca de cigarro do cinzeiro de Sissi, fez amizade com os caras maus da escola com quem fumou maconha, bebeu e cheirou pela primeira vez numa viajem pra cachoeira aos 16 onde aproveitou e perdeu a virgindade com um roqueiro que tinha uma caveira tatuada nas costas 15 anos mais velho do que ela, nunca foi de namorar, estudou administração por que queria conhecer e dar para caras bacanas filhos de empresários, a faculdade não foi bem assim, mas ela trepou com vários, descobriu que era bissexual numa suruba que aconteceu do nada numa noite de cachaça, o cara brochou e ela ficou se divertindo com a gata, acabou gostando e chegou a passar um bom tempo só pegando mulher quando encontrou uma obsessiva ciumenta que queria saber tudo da vida dela e ligava o dia todo e esperava na porta do prédio e seguia ela nas festas, deixava mil mensagens no orkut e vários depoimentos, culminado numa cena de violência onde a tal deu um soco na cara de Melinda por que pegou ela com outro, ficou traumatizada e com o nariz um pouquinho torto.




Mas os piores problemas de Melinda sempre eram com os homens brochadas e brochadas sucessivas, raríssimos orgasmos, vivia procurando um homem e sempre encontrava apenas penis procurando um orifício para descarregarem suas tensões, nunca conseguia uma boa conversa no pós-coito, Tereza lhe dizia que ela assustava os caras gerando expectativas que os homens talvez não se sentissem capazes de cumprir, quando era mais jovem isso lhe perturbava ficava procurando defeito em si, depois mudou para um comportamento agressivo e começou a hostilizar os caras e isso fazia com que na maioria das vezes conseguisse uma trepada com cada um, no máximo algumas trepadas com algum mais pervertido, virou um orifício procurando um pênis ou substituto similares, dizia Tereza, depois descobriu que trepava por esporte e afirmava que era apenas um reflexo da revolução sexual e dos avanços do feminismo, um dia ficou paranóica e fez exame de HIV, depois fez de novo porque disseram que só na segunda vez era de verdade, depois fez de novo não tinha nada, ficou viciada, fazia todo mês, Melinda era de uma geração educada pela revistas Carícia, a Capricho, a Cláudia e a Marie Claire, tinha medo de HIV e gravidez não planejada, usava camisinha e anticoncepcional só pra garantir, queria ser bem aceita socialmente, saber 1000 maneiras de enlouquecer um homem na cama e queria viajar para conhecer outras culturas, não queria uma família nem nada do gênero, gostava mais de festas e toda sorte de badalação fútil e sem propósito e era feliz assim




Melinda amedrontava os homens, sempre foi muito de ir pra cima e oferecer sexo fácil para evitar possíveis rejeições, nunca aprendeu a lidar com rejeição, a prioridade de Melinda sempre foi a grana, grana pra comprar roupas, morar sozinha, usar drogas, viajar e principalmente pra se sentir segura.




Seu primeiro emprego foi de lanchonete de uma rede de fast food, logo se tornou supervisora e ja caminhava para gerente quando viu que tinha engordado 7 quilos, conseguiu um emprego de recepcionista de academia e correu atrás do prejuízo com a ajuda de muita anfetamina que lhe rendeu sua primeira paranóia, a paranóia de estar gorda, mesmo que todos lhe disessem que estava gostosa, ela gostava de ser magra, magra mesmo, a palavra gostosa soava pra ela como a gorda.




A mãe de Melinda lamentava muito que a filha não quisesse trabalhar com ela, a única pessoa que tinha se interessado foi o filho adotivo que dominava como ninguém o serviço do Salão, chamava-se José Francisco mas Melinda tinha dado de lhe chamar de neguinha e ele adorava, a mãe no começo ficava irada depois viu que era um jeito fácil de lidar com a evidente orientação sexual do menino.




Melinda trocou a academia e as anfetaminas, pelo pó depois que conseguiu o emprego na fabrica de maquiagem, conheceu Tereza no curso de inglês quando ainda estavam na faculdade, curtiam traduzir as musicas do Aqua e fumar maconha no intervalo, falavam sobre sexo com naturalidade e se divertiam em festinhas de rock e em atividades políticas que Tereza levava e ela ia, pra conhecer pessoas, aos poucos formaram um bom circulo de amizades comuns, mas sempre conviviam com o problema de Melinda ser muito competitiva e sempre ficar afim dos mesmos caras que Tereza, o que ocasionava a maior parte das brigas que as duas tinham e que tinha gerado a regra do meu é meu, seu é seu e o lixo é de quem encontrar na rua, ou que os descartados estavam livres pra quem quisesse.




Viajava todo o ano preferencialmente para fora do país, em lugares com festas esquisitas e drogas diferentes, tinha medo de Heroína e de gente com cara de skinheads , bem como de evangélicos e vendedores de carro, não gostava de comer, mas seu prato preferido era a lasanha, no começo Melinda usava pó em festas e eventualmente, e não tinha problemas , depois começou a usar de manhã pra ir trabalhar, com o tempo começou a cheirar no trabalho, ter insônias e muita bad, aos poucos seu humor começou a mudar e ela se tornou ranzinza e mal humorada, culminando na sua demissão.




O fato mais curioso da vida de Melinda era que ela tinha se apaixonado loucamente uma única vez e foi por uma transexual chamada Barbarela que ela conheceu na rua, levou pra casa e em pouco tempo as duas não se desgrudavam a trans era lésbitrans e ficou com Melinda um longo tempo até troca-la por um bofe portoriquenho que conheceu na praia, muita gente achava que ela estava só curtindo uma de ser diferente e moderna, mas ela curtiu uma boa depressão depois do ocorrido e desde então não se relacionava mais afetivamente com parceiros sexuais.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Capitulo III

Caminho dos Olhos.

Tereza voltou pra casa pensando no bonitão, tantos problemas, nenhuma perspectiva de ter uma chance de tomar seu docinho, chegou em casa e encontrou tudo arrumado, Rui ainda estava lá, e estava cozinhando um salmão com molho de maracujá o que deixou ela perplexa, por que era exatamente aquilo que ela queria comer.
- Nossa você adivinhou o que eu queria.
- Vi que você tinha muitas receitas de salmão e decidi fazer uma, a casa eu arrumei espero que não se importe, não mexi no seu quarto, ando meio deprimido com essa coisa do Kevin e acabei ficando aqui e ouvindo musica.
-Tudo bem, queria mesmo que tivesse alguém aqui agora, deixa eu te perguntar uma coisa sabe quem é aquele baterista substituto do Kevin?
- Sei sim Bianor, ele é um publicitário bem rico que ficou mais rico recentemente, ele é um excêntrico workaholic, galinhão, foi o que o Kevin me disse.
-Ah, galinhão é?
- Vi vocês dois conversando rolou um lance?
- Não propriamente, mas é que a Mel tinha dito que ele não era galinha…
- Acho que o Kevin não conhece ele muito bem, estou só repetindo o que ele me falou.
- Certo, só curiosidade…Melinda está vindo pra cá, ela foi demitida então acho que não vai ser uma visita das mais agradáveis, vou tomar banho, a gente fuma um pra abrir o apetite e espera por ela, pode ser?
-Claro, o arroz vai demorar ainda um pouco, vou sair pra comprar sorvete.
Tereza colocou a comida pra gata, e tomou banho pensando no galinhão, ficou meio decepcionada por que afinal ela não tava procurando mais trepadas e caras como aquele eram colecionadores que usavam o carro como arapuca, vestiu um vestido novo e pensou que custava ter colocado aquele vestido pra ir trabalhar, ouviu a campainha, era Melinda.
- Ai Teca, me fudi, fui demitida! Porra amiga que merda! Saco! Ter que procurar outro trampo!
Tereza não estava preocupada com a vida financeira de Melinda, ela tinha coisas e podia se desfazer delas e provavelmente iria receber um bom fundo de garantia, estava mais preocupada com a amiga solta por ai com tanto tempo livre pra fazer mais merdas que de costume.
- Me conte como foi.
- Eu cheguei atrasada e tava deprê na bad pós pó, ai a burra da secretária do chefe veio me dizer uma gracinha sobre horário e coisas do tipo ai eu pirei e falei umas verdades pra ela, ai o chefe mandou me chamar e disse que eu precisava de um tempo pra refletir e ele ia me dar essa chance e que por hora eu estava dispensada da empresa.
-Ah não foi tão mal. E ele …bem, ele tá certo né amiga, sei como você fica irritada no dia seguinte e ir trabalhar assim não é lá muito produtivo.
- Quer saber! Foda-se! Tô cagando! Vou aproveitar e curtir.
-Que medo…acho que seria melhor você refletir sobre o seu vício
- Eu não sou viciada.
-Melinda você cheirou a semana toda, tá emagrecendo rápido, foi demitida, só pensa em cheirar.
- Uma coisa não tem nada haver com a outra! Você também cheira.
- A questão é em que proporção, você tá cheirando todo dia, muito preocupante a frase “meu pó acabou” como assim, quer dizer que o pó não pode acabar? Errado, uma hora tem que acabar e paciência espera a próxima festinha, relaxa toma um café, vai na praia, faz trabalho voluntário, sei lá, inclusive você vai passeata pela abertura dos arquivos da ditadura comigo né?
- Tereza você está exagerando, eu posso me controlar, é que as pessoas são muito caretas e não entendem uma bad.
-Acho que você que não sacou que ninguém é obrigado a conviver com bad todo dia, e o pior é que eu sei que você tava cheirando no trabalho não é?
- poucas vezes.
- É isso Mel você precisa pensar sobre isso, se for o caso procurar ajuda eu como sua melhor amiga não vou dar conta de te ajudar.
- Sério, você acha que eu preciso de um … médico?
- Acho que você deve começar se policiando, tentando maneirar sabe, fumar mais maconha, cheirar menos, beber menos.
- Ai que papo chato, olha me poupe do seu exagero, deixa eu te perguntar uma coisa, você pegou o cara que eu disse que eu peguei? Achei que já tínhamos conversado sobre isso umas vinte vezes, inclusive foi você que criou a regra o que é meu é meu, o que é seu é seu e o lixo é de quem achar na rua.
- Eu não peguei, mas pegaria, e eu achei que você já tinha companhia.
-Era mulher! Muito gostosa por sinal aff muito mais tatuagens do que você pode imaginar e piercings… enfim, já sabe, né…
- E ele tá afim de você?
- E desde quando isso é um elemento relevante?
-Ai Melinda quer saber, esquece isso! O que você pretende fazer em relação ao trabalho?
-Querida tenho alguns meses pra não trabalhar e é isso que vou fazer.
- E em relação ao pó?
- Não tenho problemas com pó, tenho problemas com falta de pó e no momento não tenho esse problema.
Tereza deu um suspiro fundo, foi desligar o arroz, separou pratos e talheres e ouviu o barulho de Melinda se trancando no banheiro, teve certeza que ela foi cheirar, decidiu não falar nada por que já estava bastante irritada com a situação toda e o papo sobre o bonitão deixou ela mais estressada. Rui chegou com sorvete, Melinda saiu do banheiro cumprimentou Rui e disse que tinha que sair e depois ligava.
-Não quer jantar conosco? Perguntou Rui.
- Fica pra próxima querido muita coisa tirando minha fome, fui! Tereza a bicha não deu sinal de vida ainda, também tô ficando preocupada…
-Vou ligar pra ela e você ve se não vai fazer mais merda!
- E você fica longe dos meus pegas tá!
Bateu a porta!
- Lá vai ela fazer alguma merda.
-Quando eu estava lá no mercado o Daniel de ontem lembra? Ele me ligou.
- Ai, vocês trocaram telefones, nossa foi mal né, mas eu já tive problemas de ser pega fumando e cheirando, sou meio traumatizada.
- Pois é eles passaram maus bocados, carro apreendido, maconha, noite na delegacia, muita confusão, foi bom mesmo que tenhamos seguido, falei pra ele que tínhamos drogas e não quisemos causar problemas, ele entendeu e convidou a gente pra ir ver eles tocando no sábado num barzinho no centro, que tal?
- Parece bom, você combinou?
- Eu disse que ia ver depois ligava.
- você acha que ele é gay?
- Ele não, mas acho que o amigo dele faz.
- hum…também achei.
-Mas ele é gracinha
- Meio bêbado demais pra mim…
- hahahahahahaha, parece que ele perdeu pontos com você e na carteira também.
- É o que eu sempre digo, menos é mais, vamos é comer que é tô morrendo de fome.

Quando Bianor entrou em casa estava viajando nas palavras do mestre, será que deveria mesmo fazer o filme? Foi pegar a caixa do tio quando o telefone tocou, era seu filho.
- Pai? Tudo bem? Pensei que ia te ver hoje aqui na agência.
- Fui ver o mestre, como estão as coisas? Acho que vou adiar o filme…
- Pai tenho uma noticia pra te dar a Maria Clara vai voltar da França essa semana e disse que vai ficar ai no seu apartamento?
- Como é? Ai meu Deus! Mais eu mandei dinheiro pra ela…
- Pai… eu não queria te dar essa noticia assim…
Viu que tinha uma chamada em espera, era Mariza,
- Que notícia filho, aconteceu alguma coisa? Sua mãe tá ligando…
- Pai fala com ela e me liga, temos coisas pra conversar…relaxa pai, relaxa…
- tô relaxado filho, beijo, depois falamos.
- Beijo
- Oi Mariza.
- Por que você demora tanto de atender esse telefone? E se fosse urgente?
- Disque 190 e depois me ligue.
- Não seja irritante, precisamos conversar…
- Já sei a Maria Clara vem pra cá e eu não sei por que não quer ficar ai com você e vem pra cá e provavelmente você me ligou por que não acha isso uma boa idéia e quer que eu demova ela disso , você pode me dizer por que essa volta repentina e por que ela não quer ficar na sua casa?
- Bianor dá pra você calar a sua boca e ouvir o que eu vou dizer? A sua filha está grávida Bianor, grávida de um artista de rua sem eira nem beira, que ela conheceu lá, e adivinha… ele não é francês! é um brasileiro com visto vencido que vai ser extraditado e adivinha mais, eles dois vão ficar ai na sua casa, sabe por que? Por que eu não quero eles aqui, eu não quero, sabe por que? Por que ela está com 4 meses, não tem mais jeito entendeu? Não dá mais pra resolver! Bianor a culpa é sua, é a sua negligência na criação dessa menina, a sua irresponsabilidade é isso que faz ela agir desse jeito, que faz ela ser inconsequente, falta de pai, por que você deixou ela ir pra França? Por que você nunca vai lá? Você acha que dinheiro substitui um pai Bianor? E agora? Você vai ser avô e vou te contar mais uma coisa o rapaz é negro Bianor, Bianor? Bianor?
- Oi Mariza.
- Você não vai dizer nada?
-Que dia ela chega?
- Hã? Só isso?
- Eu vou ligar pra ela, depois falamos tchau.
-Bianor!!!!!!!!
Click…
Bianor deitou no sofá, e começou a pensar no dia que soube que Mariza estava grávida e como ele se sentiu sabendo que ia ser pai, a noticia era de assustar e ele se sentiu velho e fez as contas de quantos anos teria quando o neto pudesse votar e ter carteira de motorista e depois pensou e se for neta? Ia curtir muito e se fossem gêmeos, será que ia puxar ao pai, não importava e de repente ele sentiu-se invadido por uma onda de amor enorme, pegou o celular e ligou pra filha:
- Filha!
- Pai! você já sabe né? Desculpa pai…
- Não há o que se desculpar, quando você chega?
- Na sexta as 8 da noite, eu ia te contar mas não tive coragem, olha vamos ficar ai só uns dias eu vou encontrar um apartamento, não vamos incomodar o senhor.
-Você já sabe o que é?
- O que?
- O bebê ! é menino ou menina?
- hahahahah, poxa pai… – ele sentiu que ela estava chorando e sentiu as lágrimas vindo nos próprios olhos- ainda não sei viu, vou saber ai, o Nando vai comigo, pai…
-Filha tá tudo bem, tá tudo bem, papai vai buscar vocês no aeroporto, não se preocupe com sua mãe depois ela melhora, eu te amo viu!
- Também te amo pai.
-Qualquer coisa me liga tá? Promete?
- Prometo! Beijo
- Beijo.
Bianor, foi até a geladeira, tomou água sentia a boca seca, ficou pensando na filha era tão fútil, nunca imaginou que ela toparia ter um filho, depois pensou que aquilo ia lhe amadurecer e também pensou que ele mesmo ia providenciar um lugar pra ela, será que ela estava apaixonada, ele sentiu de novo um amor enorme pela filha e pelo filho e pelo netinho/netinha as sensações ampliadas pelo bolinho, lembrou de Tereza e riu, sentiu vontade de deitar e foi pra cama, seu ultimo pensamento antes de adormecer foi que se fosse menino ia querer que tivesse o nome dele.
Bianor sonhou que estava no colégio e estava fazendo prova de matemática, mas não tinha estudado, ai ele olhava e via que estava de blusa e só de cueca e começava a ficar com medo a professora vinha na direção dele e ele saia correndo corria até chegar num prédio, ele entrava no elevador e ia parar na sua sala no escritório lá estava Mariza só de calcinha e sutiã e ela também vinha na direção dele e ele saia correndo correndo e encontrava um rádio mas não conseguia ligar o rádio e alguém chamava seu nome ele acordou, era o telefone.
- Oi!
- Bianor Tiago!
- Você tem o telefone da Melinda?
- Tenho. Vai ligar pra ela?
- Aquela amiga dela…
-Tá . e o filme?
- Amanhã, acho que vou fazer um CD.
-Um CD?
-Bom né?
-Muito bom!
-Amanhã. Me dá o telefone ai.
Pegou o telefone e sentiu um frio na barriga, nem contou da filha, tinha um monte de outras coisas pra fazer e agora era esperar nascer e deixar a filha tranquila…ligava num ligava, pegou um papel e fez uma canção.

Eu quero te contar sobre putas
E tudo que eu já vi por ai
E fazer entender que a armadura
É para o frágil não se romper
Eu quero te convencer
Que o céu é infinito
E o sol só é bonito
Por que vai
E deixa a ser a noite
E reine a escuridão
Até no que mais brilhar
Somos a cama acesa
Somos a vela presa
Um por inda se dar
Somos a fortaleza
O rio e a represa
Descartes, Budas, patrões
Somos a fantasia
Que compra o querer o dia
O que pode ou não fazer
Somos a densidade
Efêmera criatura
Dos reinos do não-saber
Somos a ignorância
Do tudo reles infância
Sem nem poder calcular
O quanto que não sabemos
E por mais que experimentemos
Não há o que fazer.
E assim eu invento um mundo
E tenho o sonho fundo de que há por que lutar
Pelo belo que há no dia, bom Platão da teoria
De que é possível…

Pensou que depois terminava e ia ligar pra Melinda, respirou fundo e ligou…
- Oi Melissa?
- Quem é?
-Bianor.
- Ooooiii e aiiiii? Tá fazendo o que?
-Sabe Melinda eu odeio magoar mulheres, mas eu aprendi que um jeito de se ter uma amiga mulher é dar um fora nela.
- Você me ligou pra me dar um fora?
-Essa é uma maneira negativa de olhar, eu liguei por que eu quero ser seu amigo.
- Sei, pra gente tipo se conhecer melhor?
-Não, essa é a parte do fora, é pra gente ser amigos mesmo.
-Cara você é muito cara de pau, mas eu gostei da sua amiga e do seu carro e eu fui demitida se você quer ser meu amigo me ajuda que eu te ajudo lá com a minha amiga né? Por que já até sei…
- é? O que que você sabe?
-Sei de tudo.
- Hahahahahahahahahaha! Melinda vou te ajudar, amanhã almoço eu, Tiago e Você, 12h minha casa.
- Tá.
Trocaram informações e desligaram.
Este é um romance de ficção, e uma coisa interessante , é que cada ser humano tem a sua ficção do real, a realidade não é um conjunto homogêneo, nem complementar e a graça é a experiência, sensorial, cada sociedade vai inventar uma realidade, vai inventar uma forma de passar o tempo.
O Capitalismo é um vídeo game onde escolhemos o nosso avatar conforme o status de cada um, sendo o fator consumo determinante, o dinheiro pode estragar, pode consumir a inspiração na distração.
Esse é uma romance de ficção e eu particularmente acredito que a graça da ficção é a possibilidade de esbanjar, fartar as linhas do que falta e basear uma ilusão em muito baseado, tem o tráfico e a pobreza e o racismo e os paradoxos de gente, mas é na mesquinhez singular , todo ser humano produz metáfora, e o preconceito metafórico é o maior de todos.
Quanto de cotidiano converge pra fantasia da propaganda , eu acho que se você tem uma televisão e tá vendendo seu horário e pagando o seu imposto, você que vai dizer sua ética de negociante, se você é de esquerda tá no poder e não faz nada pra se comunicar com a população ai tá vacilando.
Existem algumas regras básicas pra se entrar numa quebrada, a primeira de todas a humildade e a objetividade.
- Com licença irmão.
- A senhora é da igreja?
- Não, não, sou nova por aqui, estava tentando descobrir onde tem, sabe né?
-hum…Quer comprar é?
-Quero.
-Quanto? (sobre substâncias: o ideal de uma substância é a metade te deram uma banda, metade, te deram um inteiro? Metade, é pra tomar dois? Tome um. E veja se aguenta mais m na boca o fundamental é pedir a metade por que assim você não gasta o dobro pra comprar o que seria a metade se você não fosse logo dizendo quanto tem.)
- Meia.
- 100.
- certo. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Aqui.
-Boa. Vê outra por favor.
-outra?
- é. Dessa.
- Ah tá.
Ou não. Mas o segredo como eu já disse é sempre lembrar a sua condição de consumidor sem direitos e vulnerável.
Ele foi até a caixa do avô e abriu numa página.

“Ela é linda, fresca, meio burra, e me faz rir, passa como se desconhecesse que eu quero comer alguma coisa nela, eu quero ela quer, eu tenho ressalvas, receios, mas é algum na pele, no riso…dentro dela, eu quero…”

Caiu um papel de dentro do diário, estava amarrado e tinha um cheiro bom, quando ele abriu caiu uma pequena mecha de cabelo preta preso com um pequeno fecho de ouro em forma de pingente.

“Já falei que não escrevo direito, você quer eu escrevo, mas você deveria vir aqui…eu quero te ver , vão falar mas eu não ligo, quero mesmo assim, mando pra ti um pedaço do meu cabelo, um beijo, sua.”
Ele estava sem cabeça, a filha estava grávida, ele não sabia mais ao certo o que ia fazer, não ia mais adiar a vida decidiu ligar.

Tereza comeu muito salmão e riu muito com Rui, continuava tentando ligar pra Artemis sem sucesso, ligou pra vários amigos e não sabiam de nada também, tinha uma lista de pessoas pra falar sobre a passeata da abertura dos arquivos, deitou no sofá com uma tijela cheia de sorvete com mm´s e ia começar a telefonar pra os contatos da lista quando o telefone tocou:
-Alô.
- Oi!
-Oi. Quem é?
-Adivinha…
- Desculpa, não sei.
- Poxa agora ficou difícil, eu não disse meu nome agora vou dizer o nome e você não vai me reconhecer.
Melinda deu um pulo do sofá e começou a dar pulinhos e fazer sinal pra bicha com os lábios dizendo é ele, é ele…
- Sei… como é seu nome?
-Bianor.
- O estranho né?
Continuava pulando e gesticulando tentando manter a atitude blasé no celular.
- É. Tá vendo sou tão estranho que estou ligando pra você que eu nem sabia o nome.
- E como é meu nome?
- Você tá bem? Aconteceu alguma coisa?
- Por que?
- Você nem sabe o seu nome.
- Eu sei o meu nome, seu bobo, você sabe o meu nome?
- Tereza.
Ele gostou de dizer o nome dela, gostou da voz dela no telefone e gostou de sentir que ela tinha gostado mesmo fazendo tipinho…
- Quem te deu meu telefone?
-Melissa.
-Melinda?
-isso
- Tô chocada!
- Eu sou muito persuasivo.
- tô vendo?
-Sabe o que é, você me prometeu drogas e eu sou um cara que costumo perseguir quem me promete alguma coisa até a pessoa cumprir o que prometeu.
Tereza pensou em fazer tipo e dizer que estava sem tempo, mas poxa, ele era tão interessante e bonitão.
- Queria que fosse logo, mas eu essa semana terei muitos problemas, queria ligar pra reservar um quartinho.
- Um quartinho, né…
- Pode ser?
- Pode sim, também tô meio na correria.
- Posso ligar pra você?
- pode, claro.
- Chegou bem naquela noite?
- mais ou menos teve uma blitz…
Tereza e Bianor ficaram muito tempo no telefone, ela contou do começo da noite e o fim, ele falou que tinha tocado mal e que foi logo embora, eles emendaram muitos assuntos um no outro e passaram muito tempo falando sobre nada, Bianor muito sem contexto falou que acabou de descobrir que ia ser avô e por que não sabia de nada Tereza achou aquilo ótimo.
Esse é um romance de ficção, baseado no que há de sempre se repetir nisso de romances e ficções.
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