segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bianor fala do mestre.






Esta é uma obra de ficção, uma obra de ficção que fala das várias faces de amar, amor correspondido e amor enviado pra caixa de spam, amor vivo e amortinhodasilva, fala sobre tentar aprender e errar, enfim é uma obra de ficção baseada e por isso viajante...


Mestre Zi tinha como primeira lembrança um dia cinza, tudo em volta dele era vermelho cor de barro inclusive as pessoas, elas estavam, sentadas longe dele e ele tinha sede, tentou falar água e sua mãe veio e riu e lhe deu água, ele lembrava que tudo era muito pobre, lembrava que tinha fome de coisas que nunca tinha experimentado, na sua casa tinha uma vaca que dava leite e eles faziam queijo e plantavam mandioca e comiam queijo com farinha e tomavam água com gosto de salobre,  sua casa de barro com dois cômodos, o pai dele era um homem franzino como ele beberrão e contador de casos, a mãe era toda silêncio e movimentos de carregar coisas e ordenhar vaca e fazer farinha e vender na feira e comprar alguma coisa pra interar um arroz, e as vezes uma rapadura que era uma festa nos sentidos do Mestre que naquela época se chamava Zezim apreciador de culinárias mundiais. ele tinha 9 anos quando um grupo de ciganos apareceu perto de onde ele morava. Eles dançavam e eram coloridos e tinham muitos sabores, muitos tecidos, ele não gostava da vida, da cidade que tinha festas que ele não ia por que não tinha um sapato bom, ou por que não foi convidado, os ciganos chegaram e convidaram toda a sua familia e lhe deram comida e bebida e lhe contaram como saqueavam pessoas que podiam ir as festas e sobre roubo de sapatos e sobre a maneira como eles pegavam o que precisavam e sabiam que podiam pegar tinham leis próprias e mulheres cobertas de lindos tecidos e cores que ele nunca tinha visto.

Os ciganos a bem dizer lhe criaram, depois de uma série de intrigas entre estes os ciganos, um dia foi amarrado num tronco, espancado e largado a própria sorte, foi encontrado por um Capuxinhos, que lhe levou para dentro dos princípios franciscanos que lhe conduziram pelo caminho da leitura, do comedimento e da abnegação, com eles estudou os cínicos e os estoicos, aprendeu a fazer sandálias e couro, a mendigar e viajar sem custos, um dia deixou os franciscanos por que conheceu uma presidiária fugitiva que se escondeu no retiro, saíram de lá juntos e se recrutaram num navio que lhes levou até a fronteira do Suriname, onde se bandearam com um bando de traficantes de cigarros e mulheres brasileiras, lá ela se prostituiu e ele mendigou ela o trocou por uma linda morena de Paramaribo e ele foi levado como grumete num navio japonês, um senhor que falava espanhol o levou para uma plantação de arroz, onde aprendeu artes marciais e filosofia zen budista, passou no japão tempo suficiente para aprender a gerir o negocio de gueixas e  aprender a ganhar dinheiro, quando ganhou algum dinheiro e aprendeu um pouco do idioma, comprou um monte de aparelhos eletrônicos e voltou para o Brasil, tendo deixado pra trás toda uma rede de negócios que mantinha funcionando a distância e que funcionavam para gerir templos e escolas de filosofias. 

Quando voltava pro Brasil conheceu no voo uma pequena e musculosa negra capoeirista que voltava de uma apresentação em Luanda, se auto descreveu como a mais bonita filha de Oxum, enviada pelos Orixás para ensinar a arte sagrada da capoeira e auxiliar no regimento das Nações de Africa que tinham se estabelecido no Brasil respeitando a Diáspora e a miscigenação e reconhecendo a vitória do povo negro que  se espalhou e também dominou as Américas. Ele olhou pra ela, não conhecia muitos negros, nem sabia muito sobre a cultura Africana, ela era mãe pequena de um grande terreiro, ficaram um tempo juntos,  o mestrea prendeu capoeira e muito sobre o Axé,  um dia o santo deles se bateram e ele  se mudou para Acre.

Em pouco tempo tinha criado seu próprio rancho de orientações em Rio Branco, onde aprendeu a dominar os chás e outros alucinógenos, começou a gostar do tema no acre, depois fez muitas pesquisas no mercado oriental e assim virou um grande entendedor de alucinógenos, mas não só isso ele tinha conseguido compreender um jeito do mundo funcionar e assim tinha conseguido discípulos e discípulas e doações e conhecia muita gente, a maior parte das coisas não se sabia sobre ele, era um conhecedor dos principios da alquimia, astrologia, quiromancia, hipnose, massoterapia, Tantras diversos, demonismo, escrituras sagradas, Tarô, Runas, livro de São Cipriano, Wicca, sabia como atingir o nirvana através de meditação, técnicas de flutuação, saltos ornamentais, sapateado, rumba, tango e quadrilha, e muitos eteceteras foi mais ou menos o que  explicou rapidamente Bianor para introduzir os amigos ao convite da festa da PombaGira. 

Estavam sentados no jardim fumavam a erva do mestre no Narguilé, Melissa estava deitada na barriga de Tiago, Bianor segurava o cano do narguilé com o olhar perdido.

- Ele deve ser bem louco, disse Mel, quem é essa tal de Pomba Gira? é alguma cantora nova?
- É tipo uma santa da umbanda, sabe, tipo nossa senhora aaparecida só que da macumba, ouvi falar que mestre Zi pode pirar as pessoas, disse Tiago mexendo no cabelo de Melinda, olha o Bianor por exemplo...
- A Pomba Gira é uma entidade da Umbanda Melinda ela é um tipo de Exu, a festa dela abre o período de festas da casa do mestre, e o mestre opera mudanças de visão Tiago e não loucura!
- Eu quero ir!!!!!!! disse Melinda muito animada
-Eu não vou poder, falou Tiago.
- Será que Tereza quer ir Melinda? perguntou Bianor
- Com certeza, deixa que eu falo com ela, mas você poderia chamar a Sony hein que tal.
- Vamos fazer alguma coisa nós três outro dia,  disse Tiago deitado num puf .
- Ai que mania que homem tem de achar que vai rolar uma menage a qualquer momento, olha todo mundo sabe que suruba não funciona direito. 
- Eu sou voyer.
- Sério? disse ela se levantando e pegando a pipa.
- Sério, desde pequeno que eu me masturbo com filmes e revistinhas e olho pelas fechaduras de motel e pago pra duas putas se comerem em cima de mim...
- Já entendi, cê tá de pau duro né?
- Tô ficando...
- Eu tomaria um vinho, disse Melinda olhando pra Bianor.
- Olha sei que vocês vão se divertir muito, mas temos que trabalhar, pode deixar que falo com a Sony, vamos que eu quero mostrar tudo pra vocês. 

Bianor subiu e voltou com uma calça cheia de botões e uma camisa com o desenho de Shiva.

Eles desceram saíram do prédio e entraram num lugar que era um pátio com vários carros.
Tiago disse: Vamos no Jeep! Bianor abriu uma caixa na parede com uma senha eletrônica e pegou a chave de um CJ-5 1974. 







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