segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Almoço.









Melinda decidiu não usar nada antes de ir tratar de trabalho com Bianor, em parte por que ela não queria ficar muito acelerada e em parte por que como era um almoço ela queria comer alguma coisa, seguiu até o endereço, quando chegou e disse o nome ao porteiro ele disse que ela subisse, era um prédio antigo e muito bonito, Bianor morava na cobertura num duplex, só havia um apartamento por andar e o prédio tinha dez andares, Melinda ficou um tempo se olhando em todos os espelhos do hall de entrada, o elevador não combinava com o prédio, por que era bem moderno e chegou a falar com ela
- Bom dia, aperte o andar desejado, obrigada!

Melinda ia responder mas pensou que deviam ter câmeras no elevador e se contentou em ajeitar o cabelo mais uma vez, quando chegou no andar e saiu do elevador estava num corredor estranhamente cheio de plantas e em cada extremidade uma porta, ela caminhou um pouco e viu outra porta quando ia tocar a campainha a porta se abriu e uma senhora de uniforme e touca na cabeça abriu a porta.

- Oi, eu sou Melinda! - Disse estendendo a mão.
- Oi! Eu sei, pode entrar, seu Tiago esta na sala e o doutor ainda não acordou! - disse seca.
Acho que ela não gostou de mim, ´pensou Melinda, olhando pra seu vestido, talvez ele fosse muito curto ou talvez Bianor recebesse muitas putas e ela tivesse confundindo ela.

O Apartamento era enorme, a sala de entrada era uma sala branca com decoração oriental, poucas coisas na parede, um buda em tamanho natural sentado no centro de tudo assustou um pouco Melinda, que nãso sabia nada de Bianor a não ser que ele era um ricaço bonitão que sabia fazer ela gozar usando só as mãos, ela ainda estava olhando o Buda quando ouviu Tiago que lhe chamava da varanda.

- Oi Linda!
- Oi Ti! ainda bem que voce já esta aqui, a mulher que atendeu a porta me pareceu meio emburrada e ele ainda está dormindo.
- É a Diva, ela é bem braba e superprotetora, a prncipio ela acha que todos se aproxima dele por interesse, e Bianor, bem, ele deve estar fazendo alguma coisa no quarto, daqui a pouco aparece, quer fumar um?

Melinda queria, estava na abstinência e unzinho ia lhe acalmar e abrir o apetite.
- Quero sim.
- Vem tem um jardim lindo aqui onde se fuma
e ele entrou num cantinho , subiu uma escada e de repente melinda estava no meio de um jardim florido lindo, onde dava pra ver o mar, a vista era maravilhosa e quando sentou numa cadeira muito confortável de vime acolchoada ela pensou que tinha gente que realmente vivia muito bem.

- O que é esse trabalho? - perguntou Melinda - Não sei de nada.
- Acho que ele também não sabe o que quer, queria fazer um filme, agora quer gravar um disco
- Estranho... o que eu tenho haver com isso?
- Você é engraçada, inteligente, bonita e ele tá afim da sua amiga.
- Ele vai me contratar pra comer Tereza? Nem precisava- Disse acendendo o baseado que Tiago lhe deu.
Eles riram.
- Quem mais vem? - Perguntou Melinda
- Soraia uma secretária dele e talvez o filho, não sei.
- Tomara que dê certo, fui demitida, não posso ficar desempregada, tenho todo um estilo junk que tenho que sustentar, drogas são caras, festas são caras, roupas de festa são caras...
- Você tá com alguém?
- Hã?
- Tá namorando?
- Ô Tiquinho, cê sabe que eu não namoro, eu pego.
- Tá pegando alguém
- Tiago eu já dei pra você, que mais você quer de mim?
- Só curiosidade e você só me deu uma vez!
- E você queria mais? por que não disse!
- Não sou bom nessas coisas.
- Sorry, perdemos o timer né, já foi e acabou nem sendo, e eu não gosto de misturar trabalho com prazer.
- A você é assim tão profissional, nunca imaginei, minha irmã nunca disse nada
- Deve ser por que você só me encontra em festinhas e sua irmã não presta muita atenção no trabalho, enfim, bom pra você também né que desde que eu conheço tá desempregado.
- Eu não tô desempregado, eu trabalho com música.
-Hahaha!!!!! a tá!
- Não entendi a graça.
- Digamos que a sua banda não é, digamos assim uma carreira né.
- Pensei que você gostava da minha banda!- Disse Tiago prendendo a respiração num trago.
- Eu gosto dos bares sombrios que vocês tocam, e gosto de vocês, mas assim, não sou fã da sua banda, você sabe que eu sou pop né, o hard é um estilo que me dá tesão, mas acho que é o preto, o metal e as caveiras.- disse dando uma tragada profunda
-Foda você!
- Ah desculpa vai, me dá seu autógrafo aqui no meu sutiã.
E quando Melinda partiu pra cima de Tiago pra continuar a brincadeira a campainha tocou e ela se recompos.

- Quem será?
- Quem sabe!
- Melhor apagar né?
- Ninguem por aqui se importa com isso.
- Se fosse pó todo mundo ia reclamar.
- Talvez.
- Tá chateado né?
- Não, mas quero autografar seu sutiã em outra oportunidade.
Melinda deu uma risadinha e foi andando na direção da sala, lá sentada no sofá com um computador aberto e falando no celular estava uma mulher de terninho e cabelo bem penteado, ela sabia que era uma das secretarias e imediatamente se arrependeu do vestidinho que tinha escolhido, mas pensou que foi tudo tão informal que ela não tinha motivos pra ser tão formal, soprou na mão pra ver se estava com cheiro de maconha, tinha essa paranóia quando fumava, que estava toda impregnada do cheiro, Como Tiago tinha dito que ninguem se importava, ela não se importou.
- Oi, sou Melinda.
- Olá eu sou Soraia, muito prazer, Bianor me falou que tinha chamado uma administradora, é a sua formação né?
- É sim e você?
- Eu sou formada em Secretariado Executivo, com pós em publicidade e doutorado em Comunicação e mídia.

Soraia era uma mulher de 53 anos, vivia para o trabalho, não tinha marido, mas tinha tido um filho, que morava com a mãe dela, e que ela via muito pouco, cuidava mais de Tavinho e Bianor que da própria família, era extremamente organizada e eficiente e tinha sempre tudo sobre controle, intimamente tinha avaliado Melinda como mais uma das putinhas que rodeavam Bianor e pensou que ela não sobreviveria muito tempo no seu mundo, não gostou do vestido, nem do cheiro de maconha, não gostou da beleza, muito por que no fundo não tinha gostado nada de Bianor ter deixado a agência para ir produzir sandices particulares, mas esperava se acalmar quando estivesse no controle daquela empreitada.

Melinda não gostou de Soraia, nem da cor do cabelo, nem da roupa, nem do tom da voz e percebeu que ela também não tinha gostado dela, Melinda sorriu.

- Poxa que maravilha hein, poder trabalhar na sua área.
- É sim, e qual a sua experiência profissional?
- Eu trabalhava na área de cosméticos.
- Cosméticos? sei... e tem experiência com publicidade?
- A sim claro, eu já organizei um catálogo.
- É ... já é uma experiência... mais alguma?
- Eu já fiz uma propaganda, uma vez eu fui figurante de um comercial de sombra - Disse Melinda suspeitando o desprezo da outra.

-É...

Bianor chegou nesse exato momento, quebrando o climão.

- Bom dia, já estão todos aqui?
- Tavinho não chegou ainda - disse Soraia.
- Ele não vem, cadê Tiago? como vai Melinda?
- Bem, Tiago tá no Jardim.
- Fumando?
-É...- Disse Melinda vacilante.
- Ótimo, Soraia peça pra Diva servir o almoço enquanto fumamos por favor.
- Ok, disse Soraia se levantando e saindo pra dentro da casa,
- Tenho um baseado aqui que ele vai adorar, é do mestre!
- Mestre?
- Você vai conhece-lo, se tudo der certo vai conhece-lo em breve.
- Ah é? que bom
Quando chegaram onde estava Tiago, ele fumava um cigarro e olhgava o mar.
- Já tá dodói?
- Que nada um fininho, tô meio sem.
- Pega aqui, disse Bianor , estendendo um enorme cigarro pra Tiago.
- Te amo cara! e falando isso acendeu o baseado.

Bianor andou um pouco pelo jardim, ligou uma mangueira e começou a regar as flores.
- Incrivel como elas sentem a minha falta, mesmo que sejam regadas e cuidadas, como foram por um jardineiro de confiança.
- Olha Bianor, sem querer interromper esse momento tão legal com essa maconha ótima e esse papo todo de jardim, mas sua secretária me perguntou se eu tinha experiência com a área de publicidade e eu não tenho então quero deixar isso bem claro desde já.

- Melinda você sabe contar uma história?
- Claro. Quer dizer depende, mas claro, por que?
- Você gosta de ler?
- De um modo geral sim, mas tenho lido pouco.
- Eu te contratei por que eu quero que você leia umas coisas, por enquanto é só isso, quero que você leia e me conte o que você leu, eu recebi uns documentos e não tenho paciência, preciso de alguém que os leia e minha intuição me diz que isso vai ser bom pra você, vou te pagar o dobro do que você ganhava lá com os cosméticos, mas quero resumos semanais.
- O que é que você quer que eu leia?
- Depois do almoço falamos mais sobre isso.
- Isso tem haver com o novo trabalho?- Perguntou Tiago, estranhando a conversa.
- Por hora não, mas sei que em breve terá.
-Ai tô curiosíssima.
- Ótimo, curiosidade nesse trabalho que você vai fazer é fundamental.
Soraia veio chama-los pra almoçar e pra surpresa de Melinda ela deu uma tragada, apenas uma, não falou mais nada e saiu.

A sala de jantar era muito bonita e tinha uma mesa com 20 lugares, achou interessante que a mesa e as cadeiras eram de uma madeira pesada e envelhecida, vendo seu interesse Bianor lhe explicou que era madeira de demolição, que ele gostava muito, a comida foi colocada em cima de um console, dois tipos de salada, frango, peixe e soja, todos se serviram e enquanto comiam Bianor falou sobre o seu plano.

- Hoje de manhã eu falei com um amigo meu que tem um bom estúdio lá no centro, ele já gravou alguns artistas alternativos, sabe Cascalho Tiago?

- Sei, soube que ele ia casar.
- Pois é ele vai casar com uma americana e tá se mudando pra lá e tá vendendo o estúdio, vou comprar, com a porteira fechada.
- Você vai comprar o estúdio do Cascalho? - os olhinhos de Tiago brilharam, cara que notícia ótima.
Soraia deu uma pequena entalada- E a agência?
- Isso é uma coisa independente, o Tavinho, você e a equipe lá já se mostraram aptos a administrar lá, eu quero fazer um cd, vou fazer isso, e você só está aqui, por que esses dois serão contratados pela agência, não sei como está a apapelada do estúdio e quero que você resolva isso também e que efetue a compra, no mais você continua na agência e eu vou formar uma nova equipe pro estúdio.

A palavra estúdio fazia Melinda se imaginar no Exile on Main Street, cheirando pó com Keith Richards, era possivel ver um sorrisinho de felicidade de saber que a doutora não ia ser daquele fita.

Soraia ruborizou, franziu a testa, demostrou uma sutil insatisfação e calou-se quando viu que Tiago e Melinda pareciam aliviados por que ela não ia trabalhar diretamente com eles.

- Depois do Almoço vamos lá no estúdio, Melinda você vai ficar lá também, por que não quero me separar dos papéis que vou lhe dar pra ler e também por que quero acompanhar seu interesse, lá é um lugar amplo, vamos providenciar um espaço pra você ficar por lá, Tiago a apartir de agora você é meu assessor direto vamos montar a equipe juntos.

Soraia mostrou-se incomodada: - Você precisa comprar um estúdio pra gravar um CD? Você não pode simplesmente alugar um , como todo mundo faz?

- Soraia, eu estou comprando o estúdio pra ajudar um amigo que quer sair do país para casar, eu liguei pra ele apenas para me informar sobre a disponibilidade de horário e coisas semelhantes e decidi comprar, se você quiser, pode pensar que estou ampliando meus negócios, eu gosto de pensar assim.

Soraia ia responder quando o celular dela tocou, era Tavinho, estava precisando dela urgentemente, ela informou isso a Bianor que disse, que como ela já sabia o que tinha que fazer, poderia ir, e Cascalho ia procura-la, ela nem terminou de comer, despediu-se friamente e saiu e na saida foi possivel notar certa contrariedade no baque da porta.

- Agora que ela já foi preciso falar pra vocês sobre uma festa que iremos.



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