Nunca gostou muito de estudar mas estudava, pouco convivia com as irmãs que viviam fora de casa e aos 25 foram morar nos Estados Unidos, a mãe era uma negona trançadeira que sempre tentava ensinar as filhas o oficio sem sucesso, tinha sido empregada da avó de Melinda e acabou casando com o filho da patroa, era um bom casal, saíram de casa quando ela engravidou, cortando relações com a família, a mãe de Melinda lavava e passava e vendia salgados e fazia curso de cabeleireira para pagar as contas e para ajudar o pai de Melinda a continuar estudando, formou-se em economia, passou num concurso e conseguiu organizar a vida e dar um salão pra mulher, um bom casal, mas sem tempo para as filhas.
Melinda quando nasceu tudo já estava acertado não sofreu dificuldades, não amargou desavenças, e também não pegou o tempo do pai em casa foi criada com liberdade, mimo e negligência, sempre ouvia que esperavam que ela fosse menino, não foi, a mãe perdeu o útero e acabou adotando um sobrinho que era o irmão caçula de Melinda que ela gostava mais que das irmãs, saiu de casa aos 19, passou no vestibular, arrumou um emprego, tratou logo de sair por que queria fazer sexo, usar drogas e se livrar dos conselhos do pai e da vontade da mãe que ela ajudasse no salão.
Melinda sempre foi de poucos amigos, fumou pela primeira vez aos 11 anos roubando bituca de cigarro do cinzeiro de Sissi, fez amizade com os caras maus da escola com quem fumou maconha, bebeu e cheirou pela primeira vez numa viajem pra cachoeira aos 16 onde aproveitou e perdeu a virgindade com um roqueiro que tinha uma caveira tatuada nas costas 15 anos mais velho do que ela, nunca foi de namorar, estudou administração por que queria conhecer e dar para caras bacanas filhos de empresários, a faculdade não foi bem assim, mas ela trepou com vários, descobriu que era bissexual numa suruba que aconteceu do nada numa noite de cachaça, o cara brochou e ela ficou se divertindo com a gata, acabou gostando e chegou a passar um bom tempo só pegando mulher quando encontrou uma obsessiva ciumenta que queria saber tudo da vida dela e ligava o dia todo e esperava na porta do prédio e seguia ela nas festas, deixava mil mensagens no orkut e vários depoimentos, culminado numa cena de violência onde a tal deu um soco na cara de Melinda por que pegou ela com outro, ficou traumatizada e com o nariz um pouquinho torto.
Mas os piores problemas de Melinda sempre eram com os homens brochadas e brochadas sucessivas, raríssimos orgasmos, vivia procurando um homem e sempre encontrava apenas penis procurando um orifício para descarregarem suas tensões, nunca conseguia uma boa conversa no pós-coito, Tereza lhe dizia que ela assustava os caras gerando expectativas que os homens talvez não se sentissem capazes de cumprir, quando era mais jovem isso lhe perturbava ficava procurando defeito em si, depois mudou para um comportamento agressivo e começou a hostilizar os caras e isso fazia com que na maioria das vezes conseguisse uma trepada com cada um, no máximo algumas trepadas com algum mais pervertido, virou um orifício procurando um pênis ou substituto similares, dizia Tereza, depois descobriu que trepava por esporte e afirmava que era apenas um reflexo da revolução sexual e dos avanços do feminismo, um dia ficou paranóica e fez exame de HIV, depois fez de novo porque disseram que só na segunda vez era de verdade, depois fez de novo não tinha nada, ficou viciada, fazia todo mês, Melinda era de uma geração educada pela revistas Carícia, a Capricho, a Cláudia e a Marie Claire, tinha medo de HIV e gravidez não planejada, usava camisinha e anticoncepcional só pra garantir, queria ser bem aceita socialmente, saber 1000 maneiras de enlouquecer um homem na cama e queria viajar para conhecer outras culturas, não queria uma família nem nada do gênero, gostava mais de festas e toda sorte de badalação fútil e sem propósito e era feliz assim
Melinda amedrontava os homens, sempre foi muito de ir pra cima e oferecer sexo fácil para evitar possíveis rejeições, nunca aprendeu a lidar com rejeição, a prioridade de Melinda sempre foi a grana, grana pra comprar roupas, morar sozinha, usar drogas, viajar e principalmente pra se sentir segura.
Seu primeiro emprego foi de lanchonete de uma rede de fast food, logo se tornou supervisora e ja caminhava para gerente quando viu que tinha engordado 7 quilos, conseguiu um emprego de recepcionista de academia e correu atrás do prejuízo com a ajuda de muita anfetamina que lhe rendeu sua primeira paranóia, a paranóia de estar gorda, mesmo que todos lhe disessem que estava gostosa, ela gostava de ser magra, magra mesmo, a palavra gostosa soava pra ela como a gorda.
A mãe de Melinda lamentava muito que a filha não quisesse trabalhar com ela, a única pessoa que tinha se interessado foi o filho adotivo que dominava como ninguém o serviço do Salão, chamava-se José Francisco mas Melinda tinha dado de lhe chamar de neguinha e ele adorava, a mãe no começo ficava irada depois viu que era um jeito fácil de lidar com a evidente orientação sexual do menino.
Melinda trocou a academia e as anfetaminas, pelo pó depois que conseguiu o emprego na fabrica de maquiagem, conheceu Tereza no curso de inglês quando ainda estavam na faculdade, curtiam traduzir as musicas do Aqua e fumar maconha no intervalo, falavam sobre sexo com naturalidade e se divertiam em festinhas de rock e em atividades políticas que Tereza levava e ela ia, pra conhecer pessoas, aos poucos formaram um bom circulo de amizades comuns, mas sempre conviviam com o problema de Melinda ser muito competitiva e sempre ficar afim dos mesmos caras que Tereza, o que ocasionava a maior parte das brigas que as duas tinham e que tinha gerado a regra do meu é meu, seu é seu e o lixo é de quem encontrar na rua, ou que os descartados estavam livres pra quem quisesse.
Viajava todo o ano preferencialmente para fora do país, em lugares com festas esquisitas e drogas diferentes, tinha medo de Heroína e de gente com cara de skinheads , bem como de evangélicos e vendedores de carro, não gostava de comer, mas seu prato preferido era a lasanha, no começo Melinda usava pó em festas e eventualmente, e não tinha problemas , depois começou a usar de manhã pra ir trabalhar, com o tempo começou a cheirar no trabalho, ter insônias e muita bad, aos poucos seu humor começou a mudar e ela se tornou ranzinza e mal humorada, culminando na sua demissão.
O fato mais curioso da vida de Melinda era que ela tinha se apaixonado loucamente uma única vez e foi por uma transexual chamada Barbarela que ela conheceu na rua, levou pra casa e em pouco tempo as duas não se desgrudavam a trans era lésbitrans e ficou com Melinda um longo tempo até troca-la por um bofe portoriquenho que conheceu na praia, muita gente achava que ela estava só curtindo uma de ser diferente e moderna, mas ela curtiu uma boa depressão depois do ocorrido e desde então não se relacionava mais afetivamente com parceiros sexuais.
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