sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Esta é uma Obra de Ficção.















Essa é uma obra de ficção, como toda obra e toda vida são ficções que traduzem visões e afetos de quem escreve, as vezes eu paro, eu paro naquele ponto e penso por que? por que eu disse isso, o que eu ainda quero dizer sobre esse romance e essa ficção que é a história de cada um.

Eu vou escrever essa ficção pra provar que estive suja e que eu vi o mundo por detrás da Poliana Moça, penso que fazer uma ficção é antes travar uma batalha com a realidade do que propriamente buscar uma fantasia, e sobre isso escolho escrever um romance, ou quem sabe prefiro catar alguma coisa que valha de lição nessa ficção coletiva que chamamos realidade.

Já disse e continuo repetindo que prefiro falar sobre o que me comove, e o que me move, que as vezes são coisas que se confundem, eu penso que todo romance de ficção tem alguma coisa de autobiográfico e de confessional, o meu tem muito de observação e muito de experimento transcendendo o voyerismo e sendo mais Hedonista que sadomasô.

Quando eu era pequena e comia chocolate como as crianças comem chocolates eu pensava que um dia quando eu fosse uma mulher eu escreveria ficções sobre os romances que um dia eu cri que tinha vivido, mais esquizofrênica que amada, mais devassa que amélia, mais eu mais gata, mais confessional que propriamente uma escritora de suposições e mais fofoqueira que talvez protagonista, que dizer dos meus amigos? Mais Reais que imaginários...

Eu gosto de ouvir o Renato Russo dizer que as vezes usa palavras repetidas, por que eu vivo tendo que repetir as mesmas palavras por que em algumas ficções de realidade o óbvio do que me afeta, parece absurdo aos olhos estanques das cavernas mais platônicas que cartesianas.

Eu decidi então assim fazer uma obra de ficção pra mostrar a cena Pomba Suja das Almas Sebosas e pra tentar ser imortal nessa prehistória Digital em que habito e nesse futuro inatingível ao agora em que minha alma jaz Viva e Além.

Que eu poderia escrever pra crianças e borboletas azuis, que eu poderia falar sobre reinos encantados de princesas com histórias e morais, mais não me cabem talvez por aptidão á lama, confesso mais antiheroismo que vilania, acho que o que vale do romance e da ficção é menos a moral do que a filosofia e por oficio de etnógrafa sou mais narradora dos afetos que compartilhei e cri que compreendi do que alguém que tente escrever de memória um diário de um perdido tempo de lembranças ébrias e fumacentas.
e
Fica ao menos do que deixarei de dizer a emoção súbita desse afeto que me comove a escrever,  contar alguma coisa que a emergencía e as vezes parar para dizer alguma coisa que as vezes é preciso parar pra dizer e repito esta é uma obra de ficção e carapuças servem ou não...

Eu escrevo por que eu sinto, sinto muito...

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