quarta-feira, 16 de maio de 2012

Capitulo III

Caminho dos Olhos.

Tereza voltou pra casa pensando no bonitão, tantos problemas, nenhuma perspectiva de ter uma chance de tomar seu docinho, chegou em casa e encontrou tudo arrumado, Rui ainda estava lá, e estava cozinhando um salmão com molho de maracujá o que deixou ela perplexa, por que era exatamente aquilo que ela queria comer.
- Nossa você adivinhou o que eu queria.
- Vi que você tinha muitas receitas de salmão e decidi fazer uma, a casa eu arrumei espero que não se importe, não mexi no seu quarto, ando meio deprimido com essa coisa do Kevin e acabei ficando aqui e ouvindo musica.
-Tudo bem, queria mesmo que tivesse alguém aqui agora, deixa eu te perguntar uma coisa sabe quem é aquele baterista substituto do Kevin?
- Sei sim Bianor, ele é um publicitário bem rico que ficou mais rico recentemente, ele é um excêntrico workaholic, galinhão, foi o que o Kevin me disse.
-Ah, galinhão é?
- Vi vocês dois conversando rolou um lance?
- Não propriamente, mas é que a Mel tinha dito que ele não era galinha…
- Acho que o Kevin não conhece ele muito bem, estou só repetindo o que ele me falou.
- Certo, só curiosidade…Melinda está vindo pra cá, ela foi demitida então acho que não vai ser uma visita das mais agradáveis, vou tomar banho, a gente fuma um pra abrir o apetite e espera por ela, pode ser?
-Claro, o arroz vai demorar ainda um pouco, vou sair pra comprar sorvete.
Tereza colocou a comida pra gata, e tomou banho pensando no galinhão, ficou meio decepcionada por que afinal ela não tava procurando mais trepadas e caras como aquele eram colecionadores que usavam o carro como arapuca, vestiu um vestido novo e pensou que custava ter colocado aquele vestido pra ir trabalhar, ouviu a campainha, era Melinda.
- Ai Teca, me fudi, fui demitida! Porra amiga que merda! Saco! Ter que procurar outro trampo!
Tereza não estava preocupada com a vida financeira de Melinda, ela tinha coisas e podia se desfazer delas e provavelmente iria receber um bom fundo de garantia, estava mais preocupada com a amiga solta por ai com tanto tempo livre pra fazer mais merdas que de costume.
- Me conte como foi.
- Eu cheguei atrasada e tava deprê na bad pós pó, ai a burra da secretária do chefe veio me dizer uma gracinha sobre horário e coisas do tipo ai eu pirei e falei umas verdades pra ela, ai o chefe mandou me chamar e disse que eu precisava de um tempo pra refletir e ele ia me dar essa chance e que por hora eu estava dispensada da empresa.
-Ah não foi tão mal. E ele …bem, ele tá certo né amiga, sei como você fica irritada no dia seguinte e ir trabalhar assim não é lá muito produtivo.
- Quer saber! Foda-se! Tô cagando! Vou aproveitar e curtir.
-Que medo…acho que seria melhor você refletir sobre o seu vício
- Eu não sou viciada.
-Melinda você cheirou a semana toda, tá emagrecendo rápido, foi demitida, só pensa em cheirar.
- Uma coisa não tem nada haver com a outra! Você também cheira.
- A questão é em que proporção, você tá cheirando todo dia, muito preocupante a frase “meu pó acabou” como assim, quer dizer que o pó não pode acabar? Errado, uma hora tem que acabar e paciência espera a próxima festinha, relaxa toma um café, vai na praia, faz trabalho voluntário, sei lá, inclusive você vai passeata pela abertura dos arquivos da ditadura comigo né?
- Tereza você está exagerando, eu posso me controlar, é que as pessoas são muito caretas e não entendem uma bad.
-Acho que você que não sacou que ninguém é obrigado a conviver com bad todo dia, e o pior é que eu sei que você tava cheirando no trabalho não é?
- poucas vezes.
- É isso Mel você precisa pensar sobre isso, se for o caso procurar ajuda eu como sua melhor amiga não vou dar conta de te ajudar.
- Sério, você acha que eu preciso de um … médico?
- Acho que você deve começar se policiando, tentando maneirar sabe, fumar mais maconha, cheirar menos, beber menos.
- Ai que papo chato, olha me poupe do seu exagero, deixa eu te perguntar uma coisa, você pegou o cara que eu disse que eu peguei? Achei que já tínhamos conversado sobre isso umas vinte vezes, inclusive foi você que criou a regra o que é meu é meu, o que é seu é seu e o lixo é de quem achar na rua.
- Eu não peguei, mas pegaria, e eu achei que você já tinha companhia.
-Era mulher! Muito gostosa por sinal aff muito mais tatuagens do que você pode imaginar e piercings… enfim, já sabe, né…
- E ele tá afim de você?
- E desde quando isso é um elemento relevante?
-Ai Melinda quer saber, esquece isso! O que você pretende fazer em relação ao trabalho?
-Querida tenho alguns meses pra não trabalhar e é isso que vou fazer.
- E em relação ao pó?
- Não tenho problemas com pó, tenho problemas com falta de pó e no momento não tenho esse problema.
Tereza deu um suspiro fundo, foi desligar o arroz, separou pratos e talheres e ouviu o barulho de Melinda se trancando no banheiro, teve certeza que ela foi cheirar, decidiu não falar nada por que já estava bastante irritada com a situação toda e o papo sobre o bonitão deixou ela mais estressada. Rui chegou com sorvete, Melinda saiu do banheiro cumprimentou Rui e disse que tinha que sair e depois ligava.
-Não quer jantar conosco? Perguntou Rui.
- Fica pra próxima querido muita coisa tirando minha fome, fui! Tereza a bicha não deu sinal de vida ainda, também tô ficando preocupada…
-Vou ligar pra ela e você ve se não vai fazer mais merda!
- E você fica longe dos meus pegas tá!
Bateu a porta!
- Lá vai ela fazer alguma merda.
-Quando eu estava lá no mercado o Daniel de ontem lembra? Ele me ligou.
- Ai, vocês trocaram telefones, nossa foi mal né, mas eu já tive problemas de ser pega fumando e cheirando, sou meio traumatizada.
- Pois é eles passaram maus bocados, carro apreendido, maconha, noite na delegacia, muita confusão, foi bom mesmo que tenhamos seguido, falei pra ele que tínhamos drogas e não quisemos causar problemas, ele entendeu e convidou a gente pra ir ver eles tocando no sábado num barzinho no centro, que tal?
- Parece bom, você combinou?
- Eu disse que ia ver depois ligava.
- você acha que ele é gay?
- Ele não, mas acho que o amigo dele faz.
- hum…também achei.
-Mas ele é gracinha
- Meio bêbado demais pra mim…
- hahahahahahaha, parece que ele perdeu pontos com você e na carteira também.
- É o que eu sempre digo, menos é mais, vamos é comer que é tô morrendo de fome.

Quando Bianor entrou em casa estava viajando nas palavras do mestre, será que deveria mesmo fazer o filme? Foi pegar a caixa do tio quando o telefone tocou, era seu filho.
- Pai? Tudo bem? Pensei que ia te ver hoje aqui na agência.
- Fui ver o mestre, como estão as coisas? Acho que vou adiar o filme…
- Pai tenho uma noticia pra te dar a Maria Clara vai voltar da França essa semana e disse que vai ficar ai no seu apartamento?
- Como é? Ai meu Deus! Mais eu mandei dinheiro pra ela…
- Pai… eu não queria te dar essa noticia assim…
Viu que tinha uma chamada em espera, era Mariza,
- Que notícia filho, aconteceu alguma coisa? Sua mãe tá ligando…
- Pai fala com ela e me liga, temos coisas pra conversar…relaxa pai, relaxa…
- tô relaxado filho, beijo, depois falamos.
- Beijo
- Oi Mariza.
- Por que você demora tanto de atender esse telefone? E se fosse urgente?
- Disque 190 e depois me ligue.
- Não seja irritante, precisamos conversar…
- Já sei a Maria Clara vem pra cá e eu não sei por que não quer ficar ai com você e vem pra cá e provavelmente você me ligou por que não acha isso uma boa idéia e quer que eu demova ela disso , você pode me dizer por que essa volta repentina e por que ela não quer ficar na sua casa?
- Bianor dá pra você calar a sua boca e ouvir o que eu vou dizer? A sua filha está grávida Bianor, grávida de um artista de rua sem eira nem beira, que ela conheceu lá, e adivinha… ele não é francês! é um brasileiro com visto vencido que vai ser extraditado e adivinha mais, eles dois vão ficar ai na sua casa, sabe por que? Por que eu não quero eles aqui, eu não quero, sabe por que? Por que ela está com 4 meses, não tem mais jeito entendeu? Não dá mais pra resolver! Bianor a culpa é sua, é a sua negligência na criação dessa menina, a sua irresponsabilidade é isso que faz ela agir desse jeito, que faz ela ser inconsequente, falta de pai, por que você deixou ela ir pra França? Por que você nunca vai lá? Você acha que dinheiro substitui um pai Bianor? E agora? Você vai ser avô e vou te contar mais uma coisa o rapaz é negro Bianor, Bianor? Bianor?
- Oi Mariza.
- Você não vai dizer nada?
-Que dia ela chega?
- Hã? Só isso?
- Eu vou ligar pra ela, depois falamos tchau.
-Bianor!!!!!!!!
Click…
Bianor deitou no sofá, e começou a pensar no dia que soube que Mariza estava grávida e como ele se sentiu sabendo que ia ser pai, a noticia era de assustar e ele se sentiu velho e fez as contas de quantos anos teria quando o neto pudesse votar e ter carteira de motorista e depois pensou e se for neta? Ia curtir muito e se fossem gêmeos, será que ia puxar ao pai, não importava e de repente ele sentiu-se invadido por uma onda de amor enorme, pegou o celular e ligou pra filha:
- Filha!
- Pai! você já sabe né? Desculpa pai…
- Não há o que se desculpar, quando você chega?
- Na sexta as 8 da noite, eu ia te contar mas não tive coragem, olha vamos ficar ai só uns dias eu vou encontrar um apartamento, não vamos incomodar o senhor.
-Você já sabe o que é?
- O que?
- O bebê ! é menino ou menina?
- hahahahah, poxa pai… – ele sentiu que ela estava chorando e sentiu as lágrimas vindo nos próprios olhos- ainda não sei viu, vou saber ai, o Nando vai comigo, pai…
-Filha tá tudo bem, tá tudo bem, papai vai buscar vocês no aeroporto, não se preocupe com sua mãe depois ela melhora, eu te amo viu!
- Também te amo pai.
-Qualquer coisa me liga tá? Promete?
- Prometo! Beijo
- Beijo.
Bianor, foi até a geladeira, tomou água sentia a boca seca, ficou pensando na filha era tão fútil, nunca imaginou que ela toparia ter um filho, depois pensou que aquilo ia lhe amadurecer e também pensou que ele mesmo ia providenciar um lugar pra ela, será que ela estava apaixonada, ele sentiu de novo um amor enorme pela filha e pelo filho e pelo netinho/netinha as sensações ampliadas pelo bolinho, lembrou de Tereza e riu, sentiu vontade de deitar e foi pra cama, seu ultimo pensamento antes de adormecer foi que se fosse menino ia querer que tivesse o nome dele.
Bianor sonhou que estava no colégio e estava fazendo prova de matemática, mas não tinha estudado, ai ele olhava e via que estava de blusa e só de cueca e começava a ficar com medo a professora vinha na direção dele e ele saia correndo corria até chegar num prédio, ele entrava no elevador e ia parar na sua sala no escritório lá estava Mariza só de calcinha e sutiã e ela também vinha na direção dele e ele saia correndo correndo e encontrava um rádio mas não conseguia ligar o rádio e alguém chamava seu nome ele acordou, era o telefone.
- Oi!
- Bianor Tiago!
- Você tem o telefone da Melinda?
- Tenho. Vai ligar pra ela?
- Aquela amiga dela…
-Tá . e o filme?
- Amanhã, acho que vou fazer um CD.
-Um CD?
-Bom né?
-Muito bom!
-Amanhã. Me dá o telefone ai.
Pegou o telefone e sentiu um frio na barriga, nem contou da filha, tinha um monte de outras coisas pra fazer e agora era esperar nascer e deixar a filha tranquila…ligava num ligava, pegou um papel e fez uma canção.

Eu quero te contar sobre putas
E tudo que eu já vi por ai
E fazer entender que a armadura
É para o frágil não se romper
Eu quero te convencer
Que o céu é infinito
E o sol só é bonito
Por que vai
E deixa a ser a noite
E reine a escuridão
Até no que mais brilhar
Somos a cama acesa
Somos a vela presa
Um por inda se dar
Somos a fortaleza
O rio e a represa
Descartes, Budas, patrões
Somos a fantasia
Que compra o querer o dia
O que pode ou não fazer
Somos a densidade
Efêmera criatura
Dos reinos do não-saber
Somos a ignorância
Do tudo reles infância
Sem nem poder calcular
O quanto que não sabemos
E por mais que experimentemos
Não há o que fazer.
E assim eu invento um mundo
E tenho o sonho fundo de que há por que lutar
Pelo belo que há no dia, bom Platão da teoria
De que é possível…

Pensou que depois terminava e ia ligar pra Melinda, respirou fundo e ligou…
- Oi Melissa?
- Quem é?
-Bianor.
- Ooooiii e aiiiii? Tá fazendo o que?
-Sabe Melinda eu odeio magoar mulheres, mas eu aprendi que um jeito de se ter uma amiga mulher é dar um fora nela.
- Você me ligou pra me dar um fora?
-Essa é uma maneira negativa de olhar, eu liguei por que eu quero ser seu amigo.
- Sei, pra gente tipo se conhecer melhor?
-Não, essa é a parte do fora, é pra gente ser amigos mesmo.
-Cara você é muito cara de pau, mas eu gostei da sua amiga e do seu carro e eu fui demitida se você quer ser meu amigo me ajuda que eu te ajudo lá com a minha amiga né? Por que já até sei…
- é? O que que você sabe?
-Sei de tudo.
- Hahahahahahahahahaha! Melinda vou te ajudar, amanhã almoço eu, Tiago e Você, 12h minha casa.
- Tá.
Trocaram informações e desligaram.
Este é um romance de ficção, e uma coisa interessante , é que cada ser humano tem a sua ficção do real, a realidade não é um conjunto homogêneo, nem complementar e a graça é a experiência, sensorial, cada sociedade vai inventar uma realidade, vai inventar uma forma de passar o tempo.
O Capitalismo é um vídeo game onde escolhemos o nosso avatar conforme o status de cada um, sendo o fator consumo determinante, o dinheiro pode estragar, pode consumir a inspiração na distração.
Esse é uma romance de ficção e eu particularmente acredito que a graça da ficção é a possibilidade de esbanjar, fartar as linhas do que falta e basear uma ilusão em muito baseado, tem o tráfico e a pobreza e o racismo e os paradoxos de gente, mas é na mesquinhez singular , todo ser humano produz metáfora, e o preconceito metafórico é o maior de todos.
Quanto de cotidiano converge pra fantasia da propaganda , eu acho que se você tem uma televisão e tá vendendo seu horário e pagando o seu imposto, você que vai dizer sua ética de negociante, se você é de esquerda tá no poder e não faz nada pra se comunicar com a população ai tá vacilando.
Existem algumas regras básicas pra se entrar numa quebrada, a primeira de todas a humildade e a objetividade.
- Com licença irmão.
- A senhora é da igreja?
- Não, não, sou nova por aqui, estava tentando descobrir onde tem, sabe né?
-hum…Quer comprar é?
-Quero.
-Quanto? (sobre substâncias: o ideal de uma substância é a metade te deram uma banda, metade, te deram um inteiro? Metade, é pra tomar dois? Tome um. E veja se aguenta mais m na boca o fundamental é pedir a metade por que assim você não gasta o dobro pra comprar o que seria a metade se você não fosse logo dizendo quanto tem.)
- Meia.
- 100.
- certo. Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Aqui.
-Boa. Vê outra por favor.
-outra?
- é. Dessa.
- Ah tá.
Ou não. Mas o segredo como eu já disse é sempre lembrar a sua condição de consumidor sem direitos e vulnerável.
Ele foi até a caixa do avô e abriu numa página.

“Ela é linda, fresca, meio burra, e me faz rir, passa como se desconhecesse que eu quero comer alguma coisa nela, eu quero ela quer, eu tenho ressalvas, receios, mas é algum na pele, no riso…dentro dela, eu quero…”

Caiu um papel de dentro do diário, estava amarrado e tinha um cheiro bom, quando ele abriu caiu uma pequena mecha de cabelo preta preso com um pequeno fecho de ouro em forma de pingente.

“Já falei que não escrevo direito, você quer eu escrevo, mas você deveria vir aqui…eu quero te ver , vão falar mas eu não ligo, quero mesmo assim, mando pra ti um pedaço do meu cabelo, um beijo, sua.”
Ele estava sem cabeça, a filha estava grávida, ele não sabia mais ao certo o que ia fazer, não ia mais adiar a vida decidiu ligar.

Tereza comeu muito salmão e riu muito com Rui, continuava tentando ligar pra Artemis sem sucesso, ligou pra vários amigos e não sabiam de nada também, tinha uma lista de pessoas pra falar sobre a passeata da abertura dos arquivos, deitou no sofá com uma tijela cheia de sorvete com mm´s e ia começar a telefonar pra os contatos da lista quando o telefone tocou:
-Alô.
- Oi!
-Oi. Quem é?
-Adivinha…
- Desculpa, não sei.
- Poxa agora ficou difícil, eu não disse meu nome agora vou dizer o nome e você não vai me reconhecer.
Melinda deu um pulo do sofá e começou a dar pulinhos e fazer sinal pra bicha com os lábios dizendo é ele, é ele…
- Sei… como é seu nome?
-Bianor.
- O estranho né?
Continuava pulando e gesticulando tentando manter a atitude blasé no celular.
- É. Tá vendo sou tão estranho que estou ligando pra você que eu nem sabia o nome.
- E como é meu nome?
- Você tá bem? Aconteceu alguma coisa?
- Por que?
- Você nem sabe o seu nome.
- Eu sei o meu nome, seu bobo, você sabe o meu nome?
- Tereza.
Ele gostou de dizer o nome dela, gostou da voz dela no telefone e gostou de sentir que ela tinha gostado mesmo fazendo tipinho…
- Quem te deu meu telefone?
-Melissa.
-Melinda?
-isso
- Tô chocada!
- Eu sou muito persuasivo.
- tô vendo?
-Sabe o que é, você me prometeu drogas e eu sou um cara que costumo perseguir quem me promete alguma coisa até a pessoa cumprir o que prometeu.
Tereza pensou em fazer tipo e dizer que estava sem tempo, mas poxa, ele era tão interessante e bonitão.
- Queria que fosse logo, mas eu essa semana terei muitos problemas, queria ligar pra reservar um quartinho.
- Um quartinho, né…
- Pode ser?
- Pode sim, também tô meio na correria.
- Posso ligar pra você?
- pode, claro.
- Chegou bem naquela noite?
- mais ou menos teve uma blitz…
Tereza e Bianor ficaram muito tempo no telefone, ela contou do começo da noite e o fim, ele falou que tinha tocado mal e que foi logo embora, eles emendaram muitos assuntos um no outro e passaram muito tempo falando sobre nada, Bianor muito sem contexto falou que acabou de descobrir que ia ser avô e por que não sabia de nada Tereza achou aquilo ótimo.
Esse é um romance de ficção, baseado no que há de sempre se repetir nisso de romances e ficções.
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