quarta-feira, 16 de maio de 2012

Capitulo II



Esse é um romance de ficção, todos os personagens sairam um cotidiano imaginário, todo cotidiano é um encontro de ficções que juntas controem a estranha realidade, pra se apaixonar e viver as quenturas da paixão é preciso estar predisposto a ficção que imagina um ideal e contenta-se com a fantasia de viver entre os fragmentos do sonho.

Nem todo amor vem da paixão, uns vem do parto ou da entranhas estranhas da consaguinidade, outros vem do costume ou de débitos existenciais, este é um romance de ficção sobre o que nasce do estranhamento.

Quando Tereza acordou na segunda-feira ela estava muito tranqüila e relaxada, tinha passado um fim de semana todo descansando e estava muito se encontrava feliz de não ter se chapado ia ser uma semana de muito trabalho, estava também ansiosa por que era o dia que ia encontrar com a mãe da moça desaparecida em algum presídio, ela queria saber mais, era incrível como aquilo tinha despertado nela uma imensa curiosidade, talvez pela questão do tráfico, ou por que ela seria bem capaz de fazer uma coisa dessas, achava uma lástima que a menina tivesse sido presa e ia pensando nisso pelo caminho, tinha saído cedo tomou um bom café e foi das primeiras a chegar na ONG.

Na hora marcada a mulher chegou era mais jovem do que ela imaginava e muito educada.

-Olá, meu nome é Tereza, você é Anunciação né?

- Sim sou eu mesma, trouxe aqui esses papéis, espero que vocês possam me ajudar, não sei onde está minha filha, não tenho dinheiro pra viajar e não recebemos nenhuma ligação informando onde ela está,já estou desesperada.

- Você pode me contar como tudo aconteceu?

-É realmente necessário? Já tivemos todo tipo de problemas, julgameto, embaixadas,consulados advogados, gastei quase tudo que eu tinha tentando traze-la pro Brasil, não consegui, é muito desgastante...

- Entendo.

-Acho que tudo que você precisa saber está ai, não gosto de falar sobre isso.

- Qual a última vez que a senhora falou com ela?

- Há um mês, e o mais estranho é que não me disse nada sobre transferência.

- E o que disseram lá no presídio?

- Só que ela tinha sido transferida numa grande leva de presas pra vários outros presídio e não sabiam informar pra qual ela tinha ido

- E o consulado?

-Isso é outra coisa estranha, lá disseram que já tinham recebido os papéis da extradição por que ela seria liberada por bom comportamento e não tinham informações sobre a transferência mas iam investigar, lá me disseram que eu deveria vir aqui pra pedir ajuda.

- Olhe, eu sou psicóloga, estou aqui para lhe apoiar nesse momento difícil e fazer os encaminhamentos necessários, pelo que vejo agora só resta aguardar encontrarem sua filha, todos já foram acionados, se você não quer falar sobre isso posso lhe ajudar muito pouco.

- Eu quero minha filha de volta, quando ela estava perto de mim nós brigávamos muito , mas depois que isso aconteceu eu penso que eu devia ter sido mais paciente, eu poderia ter evitado isso...

- Não se culpe, as coisas acontecem muitas vezes fora do nosso âmbito de ação.

-Ela era uma menina doce, mas sempre foi muito ambiciosa,, o pai morreu quando ela tinha 15 anos e desde então ela ficou um pouco revoltada e vivia me pedindo coisas que eu não podia dar, eu tentei corrigir isso, eu tentei impedir ela de andar com uns amigos estranhos que vinham buscar ela , mas ela fugia e sumia muitos dias.

- Entendo, ai um dia ela falou que ia viajar?

-Não, ela começou a aparecer com coisas caras e receber muitos telefonemas, comprou uma moto, me disse que estava trabalhando de noite, mas nunca me dizia em que, flava que era numa boate, mas não me dizia qual fiquei com medo dela estar se prostituíndo, conversei com ela e ela ficou furiosa, sumiu vários dias, liguei pras amigas dela e descobri que há muito tempo nenhuma delas via ou falava com ela, depois dessa briga ela apareceu em casa, arrumou uma mala e disse que ia viajar por uns dias, alguns dias depois eu recebi o telefonema, ela tinha sido presa.

E dizendo isso desabou num choro convulsivo, que Tereza não tentou conter, pegou uma caixa de lenço que sempre estava por lá, um copo de água e outro de café e colocou na frente dela

- Quero minha filhinha!!!

- Vou acompanhar de perto o processo, sua visita ao advogado que está nesse caso é daqui a três dias, depois venha me ver novamente, certo?

- Obrigada minha filha, você parece muito com a minha Bianca.

Tereza sorriu da comparação, principalmente por que a menina tinha 21 anos, despediram-se, Tereza fez as anotações, deu alguns telefonemas e atendeu mais algumas pessoas. Almoçou com colegas de trabalho, e ligou pra Rui pra saber se Kevin tinha melhorado, ele estava com meningite, um tipo que era brando e não contagioso, não ia poder sair por uns dias, inclusive ele estava na casa da mãe e Rui não poderia ficar com ele, chamou ela pra ir no bar de motoqueiros, ela aceitou estava com uma vontade louca de sair, falou quer ia convidar Melinda e Artemis, marcaram num barzinho antes, pra comerem alguma coisa e pra rui ser apresentado para os dois.

Melinda Voltou pro trabalho e tinha um recado do advogado que estava acompanhando o caso de Bianca pedindo pra ela ligar pra ele, ela ligou mas não conseguiu falar, tinha que terminar de verdade o relatório e acabou não lembrando de ligar de novo, mandou um recado no Orkut pra os amigos chamando pra sair, quando já estava em casa Melinda ligou dizendo que não sabia se ia por que ainda não tinha passado a ressaca e Artemis nem respondeu, nem atendeu o telefone. Ela fumou um beque, colocou o celular pra despertar e dormiu um pouco pois só ia sair um pouco mais tarde.

Bianor sentou na cama e abriu a caixa, dentro dela tinham três cadernos grossos e velhos, um álbum e algumas cartas amarradas com uma fita vermelha, ele pode sentir um cheiro forte de um perfume que em pouco tempo tomou o quarto.

Viu que no pacote de cartas tinha um envelope mais recente que ele puxou e era uma carta para ele:


Querido sobrinho,


Nos vimos muito pouco nesses anos, tive pouco contato com minha família durante toda vida e certamente você deve estranhar que eu lhe envie tanto essa correspondência , quanto que tenha lhe deixado minha casa, sempre fui um homem adepto da estrada e passei grande parte da minha vida viajando comprando onde abundava e vendendo onde não havia, se assim não fiz a pequena fortuna que lhe deixo, pude viver da forma como desejei, conhecendo o mundo e me experimentando á diferença de cada lugar, posso lhe dizer resumidamente, que a vida é cercada de mistério e toda filosofia do mundo não explicaria o que se descobre apenas no caminhar, conheci homens e templos, mulheres e suas artimanhas, vi, ouvi e vivi muitas coisas, e lhe digo que em qualquer parte do mundo saber ouvir mais do que falar é muito valoroso, deixo-lhe o que pude guardar e meu porto seguro, você provavelmente deve ter se perguntado por que deixei isso pra você e não para alguém mais próximo, não tive filhos e a única pessoa que mereceria isso foi-se desse mundo antes de mim e se esta já em sua mão essa carta tenho a fé de que estou em seus braços.


Você é o único filho da única filha de minha única irmã fica portanto sendo seu o que me pertenceu, eu poderia ter doado para a caridade, mas nunca acreditei nisso, sempre fui um mercenário e ao que me fizeram saber você também, usufrua da melhor maneira, peço-lhe apenas uma coisa, torne público o único amor não sanguineo que tive na vida, Hortência minha linda flor, pague um biógrafo ou coisa que se assemelhe e publique um livro o qual lhe dou a liberdade para escolher o título, digo-lhe que não o fiz por que sempre acreditei que o fim desse livro deveria ser nosso reencontro no universo, e faltaram-me forças para executar projeto tão doloroso, sendo você um distante parente e não havendo entre nós qualquer relação de afeto que não a que agora estabelecemos entre doador e herdeiro, não lhe será de forma alguma penosa missão, nem precisa, como eu disse, ser você mesmo, contrate um profissional, não deixei isso em testamento por que espero que isso venha somente de sua gratidão e não de alguma imposição minha, dessa forma, espero apenas de você o compêndio que não fiz, lhe garanto que se sentirá recompensado em fazê-lo.


Mais coisas lhe dirão os diários de nossos primeiros anos, os outros se encontram no imóvel que lhe deixei, as indicações para encontrá-los estão nos diários a medida que você for lendo-os encontrará os seguintes, velho doido! Você pode estar pensando agora, talvez, eu mesmo penso agora, mas é um dos últimos desejos de um velho tio. Se de forma alguma isso lhe interesse, contrate alguém, caso isso também não lhe interesse, infelizmente já nada poderei fazer. Estão consumidas minhas ações nesse mundo, fico por cá com uma intuição, quase sempre eficiente,de que não serei um finadamente decepcionado.

Meus desejos de bons gozos.

Donatelli Venezio.

Bianor deu um profundo suspiro e se deitou na cama, estava muitíssimo curioso sobre os diários e tudo aquilo, mas adiou o inicio, ficou imaginando o tio pela carta, era o irmão caçula de sua avó, lembrou da avó e só lembrava desse tio no enterro dela, onde ele veio de longe, lembrava que ele era casado com uma mulher muitos anos mais nova do que ele e que ele agora sabia havia morrido antes, era incrível que o desejo do tio tenha tanto haver com o próprio desejo dele e sentia quer havia algo de místico naquilo tudo, não podia ser coincidência, lembrou da segunda erva que tomou eram pequenas raízes que deviam ser cozidas e comidas, ele comeu e sentiu uma paralisia lhe tomando lentamente, tomou o cuidado de ficar na frente da camera, foi ficando pesado, pesado e não conseguia mais se mover, mas sua mente funcionava com imensa rapidez e ele começou a lembrar de toda sua vida em flashs, lembrava da infância, de pessoas esquecidas, casamentos, batizados velórios, e lembrava de que em algum momento ele encontrou um encadeamento de fatos que fazia tudo aquilo fazer sentido e ele teve um pequeno ataque de pânico,um principio de parananóia de perceber que toda a sua vida fazia sentido e que nada parecia ser por acaso, não dormiu ficou horas nesse estado, acabou a bateria da câmera e ele não conseguia se mover pra troca-la, aos poucos foi recobrando os movimentos e sua mente foi serenado quando saiu do transe cochilou e depois tentou em vão reconstruir a sequencia que co-relacionava tudo enquanto pensava essas coisas, adormeceu.

Sonhou que estava num caminho florido e de repente as flores cresciam e se tornavam arvores tão altas que formavam um túnel, uma mulher vinha na direção dele e eles dançavam mas a escuridão do túnel não deixava ele ver o rosto dela, ele sentia o cheiro da fita das cartas, ela encostava a cabeça no peito dele e ele sentia tristeza, quando abraçava mais apertado ela se esvaia e ele ficava com uma seda vermelha entre as mãos, ele soltava a seda e ela saia voando pra cima das árvores... acordou com um telefonema, era Thiago, onde ele estava? O show ia começar em 1hora e ele queria repassar o som de novo.

Ficou olhando pras cartas na caixa, mas resistiu a sua curiosidade, se arrumou e saiu foi de carro, tinha decidido não beber, ia acordar cedo no outro dia tinha muitas coisas pra fazer.

No barzinho Melinda, Rui e Tereza estavam se divertindo horrores, tinham pedido uma garrafa de vinho e um camarão ao alho e óleo e falavam sobre os produtos da empresa que Melinda trabalhava quando Tereza cutucou Melinda, olha ali, o diller daquele dia, Melinda se levantou e foi falar com o cara, voltou pegou a bolsa e voltou logo em seguida.

- Ele tinha? Perguntou Tereza.

- 99!

-Pegou quanto?

- Duas.

- Não quero! disse Tereza.

- Nem um tequinho amiga? Ficou de cara o finde todo!

- Nada disso, você sabe muito bem que sábado cheirou horrores e domingo de manhã tava querendo correr na orla, você tá demais!

- É só uma fase... Quer dar uns tequinhos Rui?

- Veja bem, disse rindo, eu to vários dias digamos assim careta então eu aceito, posso comprar uma de você.

- Hum, certo, paga a conta ai e me dá umas cervejas lá nos motocas e fica tudo certo.

- Certo.

- Pegou uma caixinha prateada e chamou Rui pra ir no estacionamento pra cheirar no carro, quando abriu a caixinha tinha um cartão telefônico, canudos cortadinhos, e um espelho Rui ficou muito impressionado, e ela contou pra ele que tinha vários acessórios e tirou de dentro do porta-luvas um dosador que ela disse que só usava quando tinha muito nariz pra pouco pó, não é o caso aqui, disse rindo, esticou duas das grossas, e cheirou depois deu o pacotinho pra Rui, dizendo que não botava pra ninguém e que não gostava quando esticavam carreira fina pra ela, colocou um CD do Led Zepellin e falou e falou sobre como Tereza gostava de bancar a Psicóloga, que ela tinha controle sobre o uso dela, que fazia todas as reduções de danos, que não era viciada e coisas do tipo. Rui esticou uma grossa e falou que eles tinham deixado Tereza sozinha e era melhor voltarem, encontraram Tereza conversando com um cara estranho na mesa, Rui foi pagar a conta e Melinda foi na mesa do diller dizer que aquela era da melhor,quando voltaram pra mesa Tereza apresentou Daniel os dois sacaram que tava rolando um clima e chamaram ele pra festa também, ele disse que estava com alguns amigos e ia convidá-los,. Saiu da mesa e rapidamente Tereza contou que ele viu que ela estava sozinha e chegou perguntando se ela queria companhia, ela aceitou , falou que era professor de boxe e era solteiro. Daniel voltou com dois amigos mais fortões que ele, mas bem mais novos, Melinda não curtiu, nem Rui.

Daniel chamou Tereza para ir no carro dele e ela aceitou assim em carros separados foram para o bar de motoqueiros.



Quando entrou no carro Tereza constatou que eles se tratavam de um típico grupo de EMoPBs, daqueles que curtem muito o Chico Buarque e passam horas falando sobre a obra de João Bosco, foi só entrar e ouviu logo um Eu te amo do chico Buarque, os caras eram super fofos e achavam tudo muito lindo e bonito, diziam que faziam boxe pra equilibrar a sensibilidade e que tocavam em barzinhos, sem ela nem pedir deram baseado pra ela e pergutaram se ela queria ouvir um disco clássico do Belchior que quase ninguém tinha e se esgoelaram com Eu sou apenas um rapaz latino americano...Tereza adorou, os outros dois rapazes se chamavam Kleber e Kaike eram irmãos e gêmeos de cabelo com franja, Tereza riu por que só reparou nisso depois de ouvir o som que eles curtiam, Daniel era muito gentil e ela adorou a aventura de ter ido com eles, mas chegando no bar a recíproca não foi verdadeira, e a galera não curtiu muito o ambiente pesado de couros e metais, principalmente a parte dos metais:

- Não sei se quero entrar – disse Kaike

-Vamos vai ser super divertido, é legal!

-Não sei...Daniel você gostou?

-Vamos não custa nada um pessoal diferente vai ser bom!

Quando procuraram Kleber ele já estava conversando sobre tatuagens com uma menina encostada numa moto e fez sinal pra galera entrar sem ele, Daniele fez um sinal de tá vendo! Pra Kaike e eles entraram.

Quando Melinda e Rui chegaram na festa a mesa da galera da banda tava bombada de garotas vestidas de roupas de couro, todas, cada uma mais descolada que a outras e muito animadas, Melinda viu Bianor sentado mais tímido num cantinho e foi logo falar com ele já foi sentando e já foi beijando e já foi procurando conversa.

- Nem me ligou...(muxoxo)

-Não prometi que ligaria.

- Então você não gostou?

Bianor riu.

-Que eu me lembre foi você que gozou.

-Faz de novo...

- Não rolou, podemos ser amigos.

-Certo podemos ser tudo somente sexo e amizade

- Tudo somente amizade beibe.

-Adoro que me chamem de beibe,

Nessa hora um loira toda tatuada com um calça coladíssima um casaco cheio de broches maravilhososchegou para falar com Bianor

- Niely!!!!!

-Quando você voltou seu sacana? Nem liga, nem fala que vai tocar, que publicitário é você?

-Tudo está sendo muito rápido, você está ainda mais bonita que dá ultima vez!

-São seus olhos, engordei alguns kilos lá na clínica.

Eles gargalharam de alguma coisa que Melinda não entendeu.

- Essa é Melissa, conheça Nielly.

-Oi , meu nome é Melinda.

Os dois riram , ela não.

- Desculpe mas ouvi você falar de clínica, qual o seu problema? Pó?

- Não especificamente, querida, digamos que eu fumava crack e injetava elixir paregórico, não sei se você saca isso, é um tipo de morfina...

- Ouvi falar, pensava que só gente de rua fumava crack.

- Gente de rua e quem tá pela rua, no meu caso passo muito tempo pelas ruas, ou passava, tô meio sem identidade depois de tersaído da clínica.

- Não consigo me imaginar num lugar assim, você está abstinente?

- Digamos que eu não fumo mais crack nem me pico.

- E pó?

- você tem?

-Você quer?

- Quero!

- E a reabilitação, perguntou Bianor.

- Você está vendo alguém falando de crack aqui?

- mas não sei se você sabe que estas duas coisas são as mesmas coisas – falou Bianor preocupado.

- Seria muito demorado te explicar.

- Você é adulta, sabe o que faz, vê se não vai voltar pra clínica. E dizendo isso Bianor , saiu.

As duas foram pra o banheiro, ela chamou também Rui, mas ele não quis ir, disse que estava preocupado com Tereza e ia para o estacionamento ver quando ela ia chegar, isso por que uma parada inesperada num posto de gasolina fez com que eles parassem de seguir o carro e acabassem perdendo o time do carro na frente.

Não demorou muito e o carro que estava Tereza chegou, eles vinham rindo de alguma coisa, e logo viram Rui.

- E ai? Ele perguntou.

-Tá tudo ótimo, nos atrasamos por causa de cigarro, cadê Melinda?

- No de sempre.

-Ai...

-Vamos lá dentro tá muito legal.

Quando eles entraram a banda estava subindo pra passar o som, Melinda vinha abraçada com Niely do banheiro felicíssima com alguma coisa que provavelmente era mais engraçada por que as duas estavam cheiradas.

Quando eles começaram a passar o som, o barulhos dos instrumentos sendo afinados fez Tereza ter um Dejavu , uma sensação rápida que fez ela dar um pequeno loop torno de si e da festa e ir pra frente do palco, a luz que deveria iluminar a bateria estava queimada e a única coisa que ela conseguiu distinguir foi a camiseta branca de Bianor, pensou no sonho e riu, de achar que era apenas uma dessas intuições bobas que as mulheres sempre tem de antever momentos óbvios.

Foi na direção do bar e comprou um Gin Tônica, tomou de uma vez e foi pedir pó pra Melinda que nessa altura já estava comNielly num flerte que em ia acabar em pegação se ela bem conhecia a amiga, desistiu, achou melhor dar uma volta e dançar um pouco, tendo em vista que os amigos novos e a nova bicha amiga estavam muito entusiasmados em conversa sobre capas de discos e coisas assim.

Foi até o estacionamento que estava bombando pensando em fumar outro baseado antes da festa começar, encontrou um cara que estava cheirando em cima do capôt de um carro e perguntou se ela queria dar um teco, ela disse que queria maconha.

- Então você é do tipo folhinha?

disse o cara magro vestido de camisa branca e calça jeans com um tênis que não combinava com o ambiente, ela pensou que se ele tivesse um coturno ou até mesmo um sapato de couro desses de batizado estaria mais adequado, notou que ele tinha um tic de passar a mão no nariz e sacudir os ombros como se estivesse colocando eles no lugar, parecia legal

- Hahahaah, não sou do tipo tem ressacas e fico só no chazinho.

- Tenho doces também, Olho de Tandera.

- LSD ou anfetamina?

- Puro ácido, você tá dirigindo?

-Não.

- Quer?

- Quero um inteiro.

- Tenho quantos você quiser.

- Um.

- Certo, tenho maconha também, mas é pra mim mesmo , posso fumar com você, disse puxando de dentro do bolso um papel de livro de escola com berlotas compridas que fizeram os olhos de Tereza encher de lágrimas. Em alguns minutos fez um bisseda

- Como é seu nome?

- Kid Bill

- Hahahahaha! Adoreivocê Bill!

-Eu sempre causo esse efeito nas mulheres.

- Se minha amiga Melinda conhecesse você a reação dela seria muito mais efusiva, ela está por ai posso te apresentar.

- Gata eu to de saída, disse sacudindo o ombro,tenho outras festas pra ir , poderia até te levar , mas sabe como é tenho outras gatas a minha espera em outras festas, daria meu telefone pra você, mas sabe como é, não dou meu telefone para mulheres que eu não conheço muito bem, sabe como é, você pode ser do tipo que se apaixona fácil não quero ninginguémmeu pé, não que você não seja gata e tal, mas sabe como é né, se quiser me dar o seu te ligo amanhã, disse dando uma piscadinha.

- Tereza abriu a bolsa e tirou um cartão.

- Psicóloga hein, sempre gostei muito das psicólogas, principalmente as freudianas que acham que o segredo do universo é ...você sabe o que elas falam eu falo.

Caíram na gargalhada ele tirou uma pequena biblía do bolso, abriu no salmo 91 e tirou uma foto de Lion do Tundercats de dentro era uma cartela completa ele cortou um quadradinho enrolou num pequeno pedaço de papel filme e deu pra ela.

- Quanto é?

- Sabe como somos nós os traficantes clássico, o primeiro é grátis.

- Poxa, se você me disser que vendia babaloo com LSD na porta da escola eu vou ter um orgasmo.

- Ai é lenda urbana gata, pra aumentar a venda de chicletes, guarde seu orgasmo pra depois que você terminar de fumar essa vela e que esse tundera fizer efeito, detesto abandonar uma dama em situação tão vulnerável a lei mas sabe como é preciso ir, eu ligo pra você.

- Por Favor, tenho tantas pessoas pra te apresentar.

- Dont worry Baby, be Happy, one love, good bye !Disse fazendo uma reverencia com um chapéuimaginário e entrando no carro, deixando Tereza fumando muito feliz e pensando se valeria a pena tomar seu olho naquele dia.

Ela ouviu a banda começar a tocar e seguiu pra dentro da festa.

Lá dentro como ela já imaginava Melinda estava ao beijos com a loira tatuada e seus amigos novos e Rui continuavam na mesa tomando uísque e tentando conversar com o barulho ensurdecedor que fazia a banda, ela caminhou pra frente do palco e ficou curtindo a festa, gostou da banda, mas resolveu ficar um pouco mais atrás por que o tumulto na frente do palco. Resolveu voltar pra mesa onde estavam seus amigos, chegou lá e eles estavam discutindo o conceito de feminino em Chico.

- Ai gente ainda isso.

- Você acha que Geni é uma travesti? Perguntou Melinda- Cara faz horas que esses caras tão dizendo que a Geni é uma travesti, esses caras são foda, porra como é que alguém chega nessa conclusão, quer dizer, agora vamos ter que falar do conceito de transexualidade em Chico, é demais pra minha cabeça! Onde você tava amiga? Perdeu todo o debate sobre Lígia e Carolina, disse Melinda bem chapada.

- Conheci um cara que você precisa conhecer o Kid Bill!!!!!

- Kid Bill tá aqui? Eusuper conheço ele, cara famoso na cena, ele te deu o telefone dele? Ele disse o que ele tem de novidades? Ele nunca mais me ligou, ai que saudade, onde ele está?

- Não ele não me deu o telefone dele e ele já foi.

- Sabe como é né, hahahahahahahaha, o que ele tinha?

- Pó, maconha, ácido

- Ai quero um ácido.

- pois é ele tinha...

Tereza não quis contar pra Melinda que ela tinha um ácido, por que ela já estava louca e por que ela ainda não sabia se ia tomar ali, lembrou que fazia dias que queria ir pra um lugar deserto com mar e coqueiros e resolveu não gastar a lisergia dela ali.

Fechou o olho e começou a curtir o som e pensarque iria viajar no outro fim de semana e pensou que estava cansada de trabalhar e que queria férias, ficou fantasiando mojitos e quando deu por si se balançava sem música, por que o show tinha acabado.

Quando os caras da banda voltaram pra mesa Tereza estava sentada conversando com Daniel algo sobre roteiros baratos e viagens inesperadas, reparou quando a banda chegou mas só reparou mesmo quando viu o monte de mulheres com roupa de couro cercando os rapazes.

Este é um romance de ficção, e todo romance quer se passe na ficção das páginas ou na quentura das festas precisa de alguma coisa como um sininho, que badala um interesse súbito, uma vontade imensa, um desejo intenso, alguma coisa que faz o momento do encontro ser além de um momento, ser além de um encontro.

Bianor sentou-se do lado de Tereza, ele tinha medo daquelas mulheres, ele queria gozar a endorfina das baquetadas e se jogou na cadeira, ele olhou Tereza, Tereza olhou pra ele, passou um segundo mas eles se reconheceram e riram.

- Você é o baterista?

- Como você adivinhou?

- Pelas baquetas, você tem medo delas?

- Como você adivinhou?

- Pela fuga estratégica pela direita

O garçom passou ela pediu dois mojitos.

- Pedi um mojito pra você, ela disse.

-Como você adivinhou?

- Pelo seu bronzeado.

- Você é boa nisso, já tentou a loteria?

- Já. Não funcionou.

Daniel se levantou pedindo licença , eles não responderam.

- Melissa está pegando Nielly.

- Conhece Melinda e a amiga nova dela?

- Conheço, conheci a pouco tempo, a outra é minha amiga dos tempo idos da faculdade.

- Ahhhhh, você é o cara da banda, o tipo atraente que tem um carrão.

- Foi assim que ela me descreveu.

- hahahah, desculpa, não isso foi apenas uma edição, ela falou bem de você, o que não costuma acontecer sempre.

- Ela é engraçada.

Os mojitos chegaram e eles brindaram e beberam.

- Sabe o que eu queria agora, disse Bianor, fumar unzinho tomando esse mojito, quer?

- Como você adivinhou?

Quando eles se levantaram, Melinda veio de lá de mãos dadas com Nielly.

- Então vocês são o casal mais sexy da festa? Falou Bianor.

- Ela é ótima! disseNielly

- Ei, vocês se conhecem? Perguntou Melinda? Pra onde vocês estão indo? Vocês tão ficando?

Estava mais chapada...

Bianor virou pra Tereza e disse:

- Nós não nos conhecemos.

- Não, estranho né?

- Não entendi , mas tudo bem, disse Melinda fungando, tão indo pra onde? Quer saber, também não importa vem Ni vamos voltar pro banheiro.

- Ela é demais, disse Nielly saindo com uma piscadinha.

Bianor e Tereza seguiram pro estacionamento e ficaramlá dois beques falando sobre Niely, Melinda, maconha boa e sobre encontros inesperados.

- Como é o seu nome? Tereza perguntou.

- Poxa pensei que você ia adivinhar, tente adivinhar.

- Sabe não quero errar e frustrar você tô indo tão bem acertando tudo, posso dizer que seu nome não é comum.

- Se eu disser meu nome posso perder o charme.

- Difícil...

- Quer voltar lá pra dentro? Quer ir pra outro lugar?

- Eu tenho um ácido.

- Eu tenho cogumelos...

- Acho que não é bom misturar.

Estavam sentados no chão um do lado do outro, se olhavam de lado, Tereza se levantou.

- Vem estranho, vamos voltar lá pra dentro.

- E o ácido?

- Você está dirigindo e sabe, hoje é segunda-feira, amanhã tem a vida real pela frente, talvez outro dia.

- Hoje devia ser sexta-feira, pois é, mas não é... uma lástima.

Estavam de frente, ela era mais baixa, um clima leve rolou e de repente Rui , Daniel e os outros apareceram.

- Cara você é o baterista né? Seus amigos tão te procurando, Já vamos você vem com a gente?

- Cadê Melinda?

- Saiu com a loira, pegaram um taxi, vamos?

- Vou sim, virou pra Bianor e estendeu a mão, tchau estranho, foi muito bom te conhecer.

- Vou ficar acreditando que o convite do ácido está de pé.

- Estou adivinhando que vou te ver de novo.

- Você é boa mesmo.

Tereza olhou bem nos olhos dele e ele tava olhando bem nos olhos dela, ela sentiu uma coisa quente e foi embora.

Ele pensou que queria tomar o chá com ela, como seria o nome dela, era tão fácil saber tudo lamentou que Melinda tivesse ido embora, paciência, voltou pro bar e ficou pouco, foi pra casa ia ser muito corrida aquela semana.


Esse é um romance de ficção, todos os personagens sairam um cotidiano imaginário, todo cotidiano é um encontro de ficções que juntas controem a estranha realidade, pra se apaixonar e viver as quenturas da paixão é preciso estar predisposto a ficção que imagina um ideal e contenta-se com a fantasia de viver entre os fragmentos do sonho.

Nem todo amor vem da paixão, uns vem do parto ou da entranhas estranhas da consaguinidade, outros vem do costume ou de débitos existenciais, este é um romance de ficção sobre o que nasce do estranhamento.



Tereza e Rui seguiram em carros diferentes da turma de Daniel, Tereza menos bêbada dirigiu, foram seguindo Daniel que estava muito louco e foi parado numa blitz, Rui queria parar Tereza disse que tinha drogas e não queria confusão, aproveitaram e seguiram, Tereza poderia sentir algum remorso se não fossem praticamente três estranhos, foram para o apartamento dela, Rui desmaiou no sofá e Tereza foi tomar banho, durante o banho repassou a noite e riu sozinha lembrando de Kid Bill e depois do estranho, pensou que queria ve-lo de novo e ficou feliz de ele tocar numa banda de pessoas conhecidas por que assim não seria tão difícil de reencontra-lo, olhou o celular e estranhou que Artemis não tivesse ligado pra ela e viu que tinha uma mensagem de Melinda “tô em casa não esquenta”.

Foi dormir e asultimas coisas que pensou foram: Amanhã é terça e ele tem olhos lindo.

Esse é um romance de ficção, os personagens são o mais realistas possíveis são frágeis e defeituosos, cheios de dúvidas e desejos reprimidos no eterno conflito entre Eros e Tânatos, na gangorra id e ego, tem vícios, problemas financeiros, desencontros enfim esse é um romance de ficção inspirado numa realidade recortada de outras realidades, mas muito mais que ficção é um romance. Apaixornar-se é mais ou menos difícil dependendo da predisposição que cada um tem para problemaspor que a paixão é sempre uma equação de muitos graus repleta de incógnitas e sem a fórmula de baskara. Do dia que nos descobrimos apaixonados até o dia que encontramos a paz pode levar dias, pode nunca acontecer, amar resolve mas o amor não é miojo estando mais alguém que vê um suíno vivo e intenta fazer uma feijoada completa. Um dos maiores sintomas da paixão é o primeiro e o ultimo pensamento do dia se estão relacionados a mesma pessoa e isso se repete dignóstico confirmado paixão.

Quando Tereza acordou estava faminta e tinha uma bicha desmaiada na sua sala, estava atrasada, tomou um banho rápido, vestiu um vestido velho que no meio do caminho soltou uma das alças. Comprou duas dúzias de pão de queijo e 300ml de café no caminho para o trabalho, chegou atrasada e nem bem sentou em sua mesa foi chamada na coordenação.

A chefe de Tereza chamava-se Laura era um advogada loira constantemente impecável que vinha de uma família que tinha quatro gerações de advogados, tinha dois PHD´s e uma parede cheinha de premiações, falava compassadamente e dificilmente encontrava-se contrargumentações boas o suficiente para retirar-lhe a razão do que dizia.

Tereza não gostava de ser chamada assim, tinha paranoia de ser demitida, e na semana passada tinha chegado atrsada vários dias e também entregou os relatórios atrasados, foi bem assustada e bateu na porta da chefe:

- Oi doutora.

- Bom dia D. Tereza, entre, sente-se – pegou o telefone- Marta traga café e agua pra nós, Tereza quanto tempo você trabalha aqui conosco?

- Tres anos.

- Você gosta do seu trabalho Tereza?

- Gosto muito.

- Estou aqui com o seu relatório, gostei muito no começo mas vi que o fim foi feito com um pouco de pressa, mesmo que você tenha entregado com um pequeno atraso, já conversamos sobre isso e eu já lhe disse que o tempo certo de fazer as coisas é todo o tempo que existe antes da medida de tempo “última hora”, que inclusive é um termo biblíco.

- Sério?

- Tereza eu simpatizo com você, você é uma garota esperta, tem um bom potencial e eu gosto de tê-la em nossa equipe, não é a primeira vez que falamos sobre seus horários e prazos, fique mais atenta a isso, bem isso é algo que eu tinha de lhe falar mas não foi por isso que lhe chamei aqui

(alívio mental de tereza)

- Você está acompanhando o caso da moça de Portugal desaparecida não é ?

- Sim, mas até agora a mãe dela veio em apenas um agendamento.

- Bem, temos uma péssima notícia sobre a moça, a coisa toda estava sendo mantida em sigilo pelo governo portugês mas devido as pressões de nossos correspondentes já sabemos o que aconteceu, a moça foi transferida, ou melhor, estava sendo transferida quando o carro foi interceptado, dois policias foram assassinados e duas sas mulheres foram levadas pelos bandido uma delas é a moça em questão e caberá a você dizer isso para a mãe dela, as providencias de investigação estão sendo tomadas mas é a única coisa que sabemos, essa informação ainda não caiu nas mãos da imprensa e não é bom que isso aconteça, questões diplomáticas e enfim, você entende a delicadeza da situação.

Tereza estava em choque, engoliu seco, a secretária entrou com a agua e o café que foram tomados ambos de gutgut. Ela quase pode sentir a aflição da mãe.

- Meu Deus, disse se jogando pra trás na cadeira.

- Sente-se capaz de fazer isso? Posso substitui-la.

- Não será preciso, farei isso, tentarei fazer da melhor forma.

- Tereza, certamente você será orientada pelas pessoas que estão investigando o caso, existem suspeitas de relação entre esse caso e uma rede internacional de tráfico, não podemos prever o desenrolar desse caso mas certamente não será simples, vou perguntar novamente, você se sente capaz de acompanhar essa família? Temos profissionais mais capacitados e mais experientes que você, se quiser passar pra outra pessoa este é o momento, eu acredito que você pode ou faria isso sem lhe consultar, não é o caso, acredito que será um grande desafio na sua carreira, aceita.

(Mentalmente tereza pensou eu aceito uma carreira, e quase riu não fosse a gravidade de tudo aquilo)

- Prometo não decepciona-la doutora Laura.

- Então é isso, pegue uma pasta com Marta é o dossiê da moça com informações do período dela no presídio, pegue e releia e vamos esperar que tudo se resolva, espero que você tenha emmente que a essa altura não temos certeza se a moça continua viva, estão procurando uma brasileira viva ou morta, você compreendeu tudo.

Tereza não tinha pensado nisso, sentia que a moça estava viva, era só uma intuição, mas aquilo dito assim friamente foi um abalo, era um desafio, não ela não queria aquela missão, mas ainda estava quente a introdução da conversa, ela tinha paranoia de perder o emprego, tinha que aceitar.

- Farei o melhor possível.

- Faça o melhor e se possível o impossível, agora vá, tem muito trabalho para a senhorita e outra coisa procure usar roupas menos surradas e um pouco de maquiagem,esse nozinho no seu vestido não passa muita confiança aos assistidos.

Tereza riu amarelo e pensou merda, merda, merda!

Passou na mesa da secretária e pegou a pasta e pensou se tinha tanta maquiagem por que andava de cara lavada, se tinha roupa nova por que usava aquele vestido velho, se poderia ter feito veterinária por que estudou essa merda de psicologia, se aquela vaca montada igual um travesti achou o vestido dela velho por que não lhe dava um aumento?

Bianor acordou bem disposto e pensou em ir vasculhar as coisas do tio, mas depois pensou que era melhor sair cedo e ir resolver as coisas do filme, mandou um e-mail para a secretaria com algumas orientações, bateu punheta no banho, fumou um baseado, tomou um super café, lembrou de Tereza e anotou mentalmente que iria descobrir mais sobre ela, quando ia saindo recebeu uma mensagem, era do mestre, ele queria vê-lo, lembrou que ainda não tinha ido contar pro mestre da sua experiência, olhou o monte de fitas inúteis em cima da mesa, eram apenas cenas dele passando mais ou menos mal ou sentado em estado catatônico, filmar tinha servido pra nada, tinha se prometido rever as fitas, mas não tivera ainda tempo, pensou que já estava de novo no corre-corre, droga, mudou os planos ia direto visitar o mestre, sem mais demoras, queria conselhos, queria compartilhar a experiência queria saber o que fazer com os cogumelos, a verdade é que tinha fraquejado e abandonado o retiro antes do fim dos prazos e das substâncias.

O mestre tinha 85 anos e parecia bem menos,era conhecido por Zhí-Mié, ou mestre Zhí para os mais íntimos, era a junção das palavras sábio e pequeno, mas também podia ser traduzida por pequeno pequeno, era uma alusão a insignificância da sabedoria possível na vida terrena dizia o mestre. Era um cidadão realmente pequeno de olhos graúdos e sotaque nordestino, tinha inventado sua própria religião era o cosmonismo, um sincretismo tão grande que era preciso um longo período junto ao mestre para compreender toda a mistura, Bianor gostava por que não haviam interdições, o mestre era um grande estudioso de alucinógenos, tinha morado na China, no Tibet, na Alemanha, em Nova Yorque e no Recife tendo nascido em Cuité de Mamanguape na Paraíba, sabia de tantas coisas que era impossível não se sentir pequeno pequeno diante dele.

O mestre morava num local afastado da cidade, era um grande terreno com diferentes construções dedicadas a diferentes divindades e atividades, vivia da sua condição de sábio e recebia boas doações, inclusive de Bianor que antes de viajar lhe deu um cheque de alto valor que depois soube havia financiado a viajem de 10 jovens discípulos para a China e a reforma do barracão de Buda. A casa do mestre propriamente era bem pequena, tendo apenas três cômodos, uma cozinha, um banheiro e uma sala onde ficava a esteira onde o mestre dormia uma pequena mesa com um laptop e uma estante com os livros que ele estava lendo, parte da grande biblioteca que era uma das mais ricas construções da Casa Verde.

Bianor chegou na casa verde, tirou seus sapatos, e foi até o grande sino badalar sua chegada, foi conduzido por um jovem careca vestido de branco cheio de colares de conta com um cocar na cabeça até a entrada da casa do mestre, que costumava receber suas visitas numa mesa no pátio onde servia sempre um chá diferente que podia ou não ter um efeito alucinógeno, dependia da visita, do objetivo da visita e do senso de humor dele que vez por outra gostava de pregar peças, o próprio Bianor já tinha passado três dias desacordado tendo sonhos loucos numa de suas primeiras visitas a Casa Verde. Acordou com uma sonda no braço ligada a uma garrafa de soro e do seu lado o mestre muito gargalhante.

Bianor sentou e esperou, o mestre veio caminhando lento com uma bandeja com duas xicaras e doisbolinhos.

- Chá de Canela e Sativa Cake, disse o mestre com uma piscadinha.

- Desculpe Mestre Zhí, eu devia ter vindo antes.

- Não há pressa que resolva o problema de já se estar atrasado.

- Não concluí minha experiência, os últimos cogumelos ainda estão no vaso, quero saber quanto tempo ainda posso esperar antes que eles murchem , não sei.

- Corte embale em papel filme e congele.

- Pensei nisso mas não sabia se permaneceriam as propriedades.

- O que você me diz do seu retiro?

- Quero fazer um filme sobre amor. Já escrevi o roteiro e pretendo começar as filmagens.

- Você conheceu o amor na sua experiência?

- Não mas...

- Vai fazer um filme sobre amor filial?

- Não...

- Você já amou alguém que não era da sua carne?

- Acho que não?

- Você teria certeza se fosse o caso. Pretende então fazer um filme sobre algo que desconhece?

- ...

- O que você me diz sobre o seu retiro meu filho?

- Eu interrompi o meu retiro, eu senti falta da civilização e das pessoas e do toque do meu celular, senti saudade de álcool e música, eu quis ter algum prazo pra entregar alguma coisa, eu fiz uma única ligação, eu liguei pro banco pra ter certeza que o meu dinheiro continuava lá, eu sou um porco capitalista que quer fazer um filme sobre algo que nunca experimentou, quero ficcionar uma coisa que eu quero na realidade.

- Foi um bom retiro. Aconteceu alguma coisa significativa na sua volta?

Bianor contou pra mestre Zhí a história do Tio.

- As vezes não encontramos nossa missão, mas nossa missão nos encontra. Quando pretende comer os cogumelos?

- Queria saber se posso fazer isso acompanhado? Quero compartilhar essa experiência.

- Escolha bem a companhia ela será metade da sua experiência.

- Devo fazer o filme?

- Não posso lhe dizer isso, você sente que deve faça, não é alguém que quer que você faça é você que está se cobrando isso.

- É...

- Meu filho a vida é sua, os problemas são seus, e os seus problemas lhe pertencem como não pertencem a mais ninguém, alguns problemas vem ao nosso encontro não são escolhas, outros nós mesmos criamos, as soluções são sempre mais difíceis de se conseguir que os problemas, equacione e reze.

- Sou viciado em problemas.

- O problema do vício é o quanto sobra de vida pra o resto dos prazeres. Coma um bolinho.

Bianor tomou o chá e comeu o bolinho.

- Agora vá, antes que ele faça efeito, vá pra casa e equacione, daqui a duas semanas é a festa da Pomba-Gira traga duas caixas de Chandon e três convidados, de dentro do bolso o mestre tirou um pequeno embrulho da maconha que era plantada ali mesmo e entregou pra Biano quefez uma profunda reverência e partiu, quando estava já bem perto de casa sentiu o bolinho começar a fazer efeito.

Tereza estava triste, queria ir pra praia, queria ficar imersa, podia ser uma piscina ou mesmo uma banheira, queria mergulhar, o Dossiê dizia que Bianca era uma moça calma e que não teve incidentes graves até o dia em que sem mais nem menos se envolveu numa briga que não era com ela e acabou por ser perseguida por uma das detentas mais perigosas, ela solicitou transferência que só aconteceu depois que teve a mão ferida com um garfo na hora do almoço, como sempre teve bom comportamento foi autorizada a sua transferência.

No histórico das ligações uma coisa estranha, as ultimas ligações foram feitas pra Portugal, aquilo deixou Tereza muito intrigada.

Tereza não almoçou, comeu uma coxinha com coca-cola e ficou ensaiando uma maneira sutil e encorajadora de dizer pra anunciação que sua filha poderia estar morta, ou na melhor das hipóteses na posse de traficantes internacionais. No fim do expediente ligou várias vezes pra Artemis sem sucesso, caixa, caixa, caixa, ligou pra mãe e prometeu almoçar em casa no domingo, comprou ração pra gata, uma barra e chocolate e ia comprar um Salmão lindo, que acabou voltando por falta de crédito no cartão o que fez ela lembrar que não tinha pago a conta do bar, que fez ela pensar dos olhos bonitos, ligou pra Melinda.

- Mel?

- Ai amiga ainda bem que tu ligou, fui demitida!!!!! Fui demitida!!!!

- O que aconteceu?

- Não sei! Não sei!

- Onde você está?

- meu pó acabou, preciso de mais, to esperando o diller naquele canal de sempre.

- Melinda você não pode cheirar toda vez que tem um problema, inclusive agora você tem realmente um problema, sai daí, vai lá pra casa, você falou com Artemis ?

- Não, desde aquele dia que estávamos com ele.

- Tô preocupada.

- Notícia ruim chega rápido, olha meu caso.

- Ai que dia horrível! Vai lá pra casa, sem pó por favor.

- já vou! Tchau.

-Tchau.

Mais essa agora, Melinda despedida, Artemis sumido, um caso grave, e sem grana pra comprar nem um salmãozinho, pelo menos ela tinha maconha pra relaxar e um ácido aguardando uma boa oportunidade, tudo que ela desejou foi uma boa oportunidade.

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